O mercado brasileiro de proteína avícola encerrou o mês de setembro com um cenário de valorização, embora os efeitos dessa alta tenham se manifestado de maneira heterogênea entre as diferentes regiões do país. O Sudeste liderou o movimento de recuperação nos preços, impulsionado por uma combinação de fatores que envolvem desde a dinâmica de consumo interno até o desempenho das exportações, conforme apontam os dados mais recentes da consultoria Safras & Mercado.
Dinâmica de preços e o impacto no atacado paulista
No atacado de São Paulo, o reflexo da valorização foi nítido ao longo do mês. O peito congelado, um dos itens mais demandados pelo consumidor final, registrou um salto de R$ 8,00 para R$ 9,50 por quilo. Outros cortes também acompanharam a tendência de alta: a coxa passou de R$ 6,40 para R$ 7,80, enquanto a asa subiu de R$ 11,50 para R$ 12,50 por quilo.
O movimento de alta não se restringiu apenas aos produtos congelados. No segmento de resfriados, o peito no atacado avançou de R$ 8,10 para R$ 9,60 por quilo. Essa valorização reflete a entrada de salários na primeira quinzena do mês, que favoreceu a reposição de estoques entre atacado e varejo, além da competitividade da carne de frango frente à carne bovina, que continua sendo um fator decisivo na escolha dos consumidores.
Desequilíbrio regional na oferta e demanda
Apesar do otimismo no Sudeste e no Centro-Oeste — onde o frango vivo em estados como Goiás e Mato Grosso do Sul subiu de R$ 4,75 para R$ 5,30 por quilo —, o cenário nacional não foi uniforme. Enquanto o Sul manteve estabilidade, com referências inalteradas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e oeste do Paraná, algumas praças do Nordeste e do Norte enfrentaram pressão negativa.
No Ceará, por exemplo, o preço do frango vivo recuou de R$ 5,50 para R$ 4,75 por quilo, enquanto em Pernambuco a queda foi de R$ 6,00 para R$ 5,00. No Pará, a referência também sofreu ajuste para baixo, fechando em R$ 6,25. Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, a oferta nacional de animais permanece elevada, o que exige cautela dos produtores quanto ao planejamento dos alojamentos de pintainhos para evitar um excesso de oferta que pressione ainda mais as cotações.
Exportações como pilar de sustentação
O mercado externo tem desempenhado um papel fundamental na manutenção do equilíbrio do setor. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, no levantamento parcial de setembro, as exportações brasileiras de carne de aves somaram 398,908 mil toneladas. O volume diário exportado cresceu 6,1% em comparação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita diária avançou 15,4%.
O preço médio da tonelada exportada também apresentou alta de 8,7%, atingindo US$ 1.922,40. Esse fluxo constante para o exterior tem sido um alívio para a indústria, permitindo o escoamento da produção e evitando uma saturação ainda maior do mercado doméstico. O futuro das cotações, contudo, dependerá da capacidade do setor em ajustar a oferta interna e monitorar de perto os custos operacionais, especialmente os insumos voltados à alimentação animal.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

