A nova fronteira da sanidade animal no Brasil
A biosseguridade na produção animal deixou de ser tratada apenas como um protocolo preventivo dentro das granjas para ocupar uma posição central na estratégia de competitividade do agronegócio brasileiro. Em um cenário marcado por exigências sanitárias cada vez mais rigorosas dos mercados internacionais e por uma demanda crescente dos consumidores por segurança alimentar, rastreabilidade e bem-estar animal, o controle de riscos tornou-se um diferencial decisivo para a proteína nacional.
O tema ganhou relevância durante uma série de visitas técnicas da Agrifirm ao Brasil, que reuniu especialistas para debater práticas de biosseguridade. O momento é oportuno, coincidindo com uma atenção redobrada de parceiros comerciais, como a recente missão da União Europeia ao país. O objetivo é claro: manter o status sanitário brasileiro elevado para garantir o acesso a novos destinos e consolidar a confiança global no produto nacional.
O fator humano como elo fundamental
Embora investimentos em infraestrutura e tecnologia sejam vitais, especialistas alertam que a eficácia dos protocolos depende diretamente da gestão de pessoas. Marta Bruguera Bonfill, Gerente Global de Biosseguridade da Agrifirm, ressalta que grandes aportes financeiros podem ser desperdiçados se as equipes não estiverem devidamente capacitadas e conscientes da importância de cada medida.
A capacitação deve ser um processo contínuo, permeando todos os níveis da cadeia produtiva. A falha na execução de um procedimento simples, como a desinfecção de veículos ou o controle de acesso, pode elevar drasticamente os riscos sanitários e gerar prejuízos econômicos significativos para a propriedade. A biosseguridade, portanto, deve ser encarada como um investimento em gestão de risco, e não como um custo operacional.
Prevenção interna e externa
A estratégia de biosseguridade divide-se em duas frentes complementares. A biosseguridade externa foca no controle das fronteiras da granja, impedindo a entrada de patógenos do ambiente externo. Já a biosseguridade interna atua na contenção da disseminação de agentes infecciosos dentro da própria unidade produtiva. Segundo especialistas, o setor ainda tende a negligenciar os controles internos, que são fundamentais para evitar surtos locais.
Estudos científicos, como o conduzido por Postma em 2017, demonstram que a implementação rigorosa desses protocolos resulta em ganhos zootécnicos claros. Entre os benefícios observados estão o aumento no número de leitões desmamados, a melhora de 3% a 8% no índice de conversão alimentar e a redução expressiva no uso de antimicrobianos, que pode variar de 7% a 40% dependendo do sistema produtivo.
Metodologia e reconhecimento global
Para elevar o padrão das granjas brasileiras, empresas utilizam metodologias validadas internacionalmente, como a plataforma Biocheck UGent, da Universidade de Gante, na Bélgica. Em outubro de 2025, essa metodologia recebeu reconhecimento técnico da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) por sua contribuição à sustentabilidade e à saúde animal sob a ótica da abordagem One Health.
A adoção de padrões globais permite que produtores brasileiros comparem seu desempenho com referências mundiais, identificando gargalos e oportunidades de melhoria. Como pontua Mariane Pfeifer, diretora técnica da Agrifirm, a redução da pressão sanitária é o caminho mais curto para a eficiência produtiva. Animais saudáveis não apenas garantem a entrada em mercados exigentes, mas também reduzem a necessidade de intervenções, otimizando o uso de recursos e aumentando a rentabilidade do negócio.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br
