Bancada evangélica perde força na Alesp após revés eleitoral de 12 deputados

Bancada evangélica perde força na Alesp após revés eleitoral de 12 deputados

Política

A configuração política da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) passará por uma transformação significativa na próxima legislatura. Um dos grupos mais influentes e organizados da casa, a bancada evangélica, enfrentará uma redução considerável em seu quadro de representantes. O resultado das urnas impôs um recuo estratégico para a Frente Parlamentar Evangélica, que verá a ausência de nomes que foram pilares da articulação religiosa e conservadora nos últimos anos.

O movimento de retração ocorre em um momento em que as pautas de costumes e a influência de lideranças religiosas ganham cada vez mais espaço no debate público nacional. No entanto, no maior colégio eleitoral do país, o desempenho individual de diversos parlamentares não foi suficiente para garantir a continuidade de seus mandatos, sinalizando uma possível reacomodação de forças dentro do Palácio 9 de Julho.

O impacto das urnas na representatividade religiosa estadual

Dos 31 deputados que compõem a atual Frente Parlamentar Evangélica na Alesp, dez não conseguiram a reeleição. A lista de parlamentares que deixam a casa inclui figuras de diferentes partidos e denominações, evidenciando que o revés não ficou restrito a uma única legenda. Entre os nomes que não retornam para o próximo mandato estão Oseias de Madureira (PL), André Bueno (MDB), Daniel Soares (União), Eduardo Nóbrega (MDB) e Edna Macedo (Republicanos).

Além deles, também não obtiveram sucesso na tentativa de renovação de mandato os deputados Paulo Correa Jr. (Republicanos), Márcio Nakashima (PSD), Maria Lúcia Amary (PSD), Rafa Zimbaldi (União) e Rui Alves (Republicanos). Essa renovação forçada pelas urnas retira da linha de frente parlamentares experientes em comissões temáticas e na articulação direta com o governo estadual, o que pode exigir uma nova estratégia de liderança para o grupo remanescente.

Migração para Brasília e o papel dos suplentes

Nem toda a perda de cadeiras na bancada evangélica estadual se deve a derrotas eleitorais diretas. Dois nomes de peso do grupo, Altair Moraes (Republicanos) e Gil Diniz (PL), optaram por buscar voos mais altos e foram eleitos para a Câmara dos Deputados, em Brasília. Embora essa movimentação fortaleça a representação religiosa paulista no Congresso Nacional, ela deixa lacunas imediatas na articulação política dentro da Alesp.

Outro ponto de atenção para o grupo é a situação de nomes conhecidos que ficaram na suplência. É o caso de Damaris Moura (PSDB) e Marcelo Aguiar (PL), que, apesar de possuírem bases eleitorais consolidadas e forte atuação junto ao público cristão, dependem agora de movimentações políticas ou convocações para assumirem uma cadeira. A ausência desses quadros no dia a dia legislativo pode arrefecer a defesa de projetos ligados à liberdade religiosa e ao terceiro setor, áreas onde esses parlamentares costumavam ser protagonistas.

Desafios para a agenda conservadora em São Paulo

A redução numérica da bancada traz desafios práticos para a aprovação de projetos de lei e para a ocupação de cargos estratégicos na Mesa Diretora e em comissões permanentes. Historicamente, a bancada evangélica atua em bloco em temas como a defesa da família tradicional, o combate às drogas e a fiscalização de recursos destinados a entidades filantrópicas ligadas a igrejas.

Com menos votos garantidos, o grupo precisará ampliar o diálogo com outras frentes parlamentares, como a da segurança pública e a do agronegócio, para manter sua relevância nas votações mais polêmicas. A reconfiguração também pode impactar a relação da assembleia com o Poder Executivo, uma vez que a bancada costuma ser uma base de apoio importante para o governo em troca de espaço na gestão e atendimento de demandas regionais de suas comunidades.

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Fonte: redir.folha.com.br