A prestação de contas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou gastos que chamam a atenção pela natureza das funções contratadas. De acordo com os dados públicos, a campanha destinou R$ 271,5 mil para o pagamento de nove pessoas físicas, montante que representa 0,4% do total declarado pelo candidato até o momento.
Entre os registros, destacam-se valores destinados a serviços operacionais. A campanha declarou o pagamento de R$ 13 mil para um zelador e R$ 11 mil para um garçom. Além disso, constam na lista R$ 8 mil destinados a uma recepcionista e R$ 5 mil para serviços de limpeza de comitê. Os dados, contabilizados até a segunda-feira (5), fazem parte de um montante total de R$ 66 milhões em despesas declaradas pelo senador.
Contexto das despesas e transparência eleitoral
O volume total de gastos da candidatura é dominado por despesas com serviços de terceiros, que somam R$ 41,2 milhões, sendo a maior parte concentrada em estratégias de comunicação. A presença de pagamentos individuais a profissionais de apoio, como garçons e zeladores, levanta questões sobre a natureza das contratações e a média de mercado para tais funções em períodos eleitorais.
Conforme as informações disponíveis no sistema do TSE, a prestação detalha as despesas contratadas, embora não especifique a data exata do pagamento. O registro do garçom, por exemplo, aparece em dois lançamentos de R$ 5,5 mil, ambos datados de 17 de agosto. Os outros oito pagamentos a pessoas físicas possuem registros únicos.
Dúvidas sobre os valores contratados
A reportagem buscou esclarecimentos junto à campanha de Flávio Bolsonaro sobre a justificativa para os valores, questionando se as quantias referiam-se a períodos prolongados de trabalho ou se haveria outras especificidades nas funções. Até o fechamento desta edição, não houve retorno ou posicionamento oficial por parte da equipe do parlamentar.
O contato com os prestadores de serviço também apresentou dificuldades. O homem identificado como zelador atendeu a uma ligação telefônica, mas não se manifestou sobre o contrato. Já a tentativa de contato com o garçom, que possui registro em cidade-satélite de Brasília, não foi bem-sucedida. A falta de detalhes adicionais mantém em aberto os questionamentos sobre a execução desses serviços no contexto da campanha.
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Fonte: redir.folha.com.br

