O juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Francisco Tojal Dantas Matos, denunciou ter sido vítima de um episódio de xenofobia em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O magistrado, que é natural de Aracaju (SE), estava na capital gaúcha para ministrar uma palestra na Escola da Magistratura sobre violência de gênero quando foi hostilizado em um restaurante de hotel, na última terça-feira (6).
O conflito motivado pela origem regional
Segundo o relato do magistrado, o incidente ocorreu durante o jantar, logo após seu desembarque na cidade. Ao ser atendido por uma funcionária do estabelecimento, ele recebeu a sugestão de provar o à la minuta, prato tradicional da culinária gaúcha, composto geralmente por arroz, feijão, salada, ovo, batata frita e carne. Por não conhecer a iguaria, o juiz solicitou mais informações sobre a composição do prato.
Foi nesse momento que um homem, sentado em uma mesa próxima, interveio com deboche, questionando a origem do juiz de forma agressiva. “De que país você é, que você não conhece à la minuta?”, teria perguntado o agressor. O que começou como uma interação sobre gastronomia escalou rapidamente para ofensas verbais e hostilidades, com o indivíduo proferindo palavrões e associando o magistrado a grupos políticos, em um contexto de polarização social.
Repercussão e medidas judiciais
Para Francisco Tojal, o episódio transcende o desconhecimento sobre um prato regional. O magistrado afirmou que o incômodo do agressor estava diretamente ligado ao seu sotaque e à sua origem nordestina. “Ficou claro para mim que o incômodo dele não era pela comida, era pelo meu sotaque, pela minha origem”, desabafou o juiz, reforçando que nenhum cidadão brasileiro deve ser alvo de hostilidade em seu próprio país.
O caso foi registrado por meio de um boletim de ocorrência. Embora o agressor tenha sido identificado como um hóspede do mesmo hotel, ele ainda não teve sua identidade revelada pelas autoridades. O magistrado, que possui um extenso currículo na área de direitos humanos e combate à discriminação, recebeu apoio imediato de colegas e instituições locais.
Posicionamento das instituições gaúchas
A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) e a Escola da Ajuris emitiram uma nota oficial de repúdio ao ocorrido. As entidades classificaram as atitudes discriminatórias como inaceitáveis e incompatíveis com os valores democráticos e com o respeito à dignidade humana. O suporte ao magistrado inclui, inclusive, assistência jurídica para que os fatos sejam devidamente apurados.
O episódio reacende o debate sobre a necessidade de combater o preconceito regional no Brasil. O magistrado, que atua como membro do Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação do Poder Judiciário do Conselho Nacional de Justiça, reforçou que a xenofobia é crime e não deve ser tolerada em nenhuma circunstância. Para acompanhar os desdobramentos deste caso e outras notícias relevantes, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de informação com credibilidade e foco no que acontece no Rio Grande do Sul e no Brasil.
Fonte: g1.globo.com

