Três pinguins foram localizados sem vida na manhã desta segunda-feira (12) na faixa de areia da Praia de Magistério, situada no município de Balneário Pinhal, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O episódio chamou a atenção de moradores e frequentadores da região, levantando questionamentos sobre a recorrência desse tipo de ocorrência na costa gaúcha.
Entenda o fenômeno migratório dos pinguins
A presença de pinguins-de-Magalhães no litoral do Rio Grande do Sul é um evento sazonal esperado por especialistas. Segundo a bióloga Carine Trigo, vinculada ao Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) da UFRGS, o aparecimento desses animais mortos é considerado um fenômeno natural dentro do período que compreende os meses de maio a setembro.
Esses animais realizam uma longa jornada migratória partindo de colônias reprodutivas localizadas na Patagônia, tanto na Argentina quanto no Chile. Durante esse deslocamento, é comum que indivíduos, majoritariamente jovens, cheguem à costa brasileira debilitados. A mortalidade, nestes casos, é atribuída predominantemente a causas naturais, como exaustão, fome ou doenças, durante o trajeto oceânico.
O significado das marcas de tinta azul
Um detalhe que despertou a curiosidade de quem circulava pela orla foi a presença de marcas de tinta azul nos corpos dos animais. A bióloga esclarece que essa sinalização é um procedimento técnico padrão adotado pelas equipes de monitoramento ambiental que atuam na faixa de areia.
O objetivo da pintura é identificar carcaças que já foram devidamente contabilizadas pelos pesquisadores. Dessa forma, evita-se que o mesmo indivíduo seja registrado repetidamente em levantamentos posteriores, garantindo a precisão dos dados estatísticos. A substância utilizada não é tóxica, não oferecendo riscos de contaminação ao ecossistema ou aos animais necrófagos que eventualmente se alimentam dos restos mortais.
Gestão de carcaças e monitoramento ambiental
A destinação dos corpos encontrados na areia segue critérios científicos. Conforme explica Carine Trigo, o Ceclimar já possui um acervo expressivo de espécimes em sua coleção. Por esse motivo, o recolhimento das carcaças só é realizado quando há um projeto de pesquisa específico em andamento que demande a coleta de material biológico.
Quando não há essa necessidade imediata, os corpos são deixados no local. Esse manejo faz parte do ciclo natural da praia, permitindo que as carcaças sirvam de alimento para outros animais, integrando-se à cadeia alimentar costeira.
Os dados de monitoramento reforçam a magnitude da migração. No último inverno, o litoral gaúcho registrou 1.632 pinguins-de-Magalhães, que compuseram a maior parte das 1.847 aves contabilizadas no período. Ao todo, somando-se aves, mamíferos e répteis, foram mais de 2,7 mil registros, incluindo lobos-marinhos e tartarugas-verdes, evidenciando a importância da preservação e do estudo contínuo da fauna marinha regional. Para mais informações sobre o meio ambiente e outros temas relevantes, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de compromisso com a notícia.
Fonte: g1.globo.com

