A busca pela transparência na cadeia produtiva da carne bovina brasileira encontrou um caminho técnico promissor, mas que ainda esbarra em entraves burocráticos e de coordenação. Um estudo recente da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura aponta que a integração entre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a Guia de Trânsito Animal (GTA) é a chave para monitorar a origem do rebanho e mitigar riscos socioambientais, mas o sucesso dessa iniciativa depende de uma articulação mais eficiente entre os órgãos estaduais e federais.
O levantamento, que analisou a situação em oito estados — Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rondônia, São Paulo e Tocantins —, revela que a tecnologia não é o principal problema. Todas essas unidades da federação já operam sistemas de GTA eletrônica e possuem bases de dados do CAR. O desafio reside na falta de padronização e na ausência de uma política de integração de dados que conecte, de forma fluida, as informações territoriais das propriedades com o fluxo de movimentação dos animais.
Desafios na articulação entre órgãos estaduais
A existência de bases digitais robustas, por si só, não garante a eficácia do monitoramento. O estudo destaca que o ritmo de avanço na rastreabilidade depende diretamente do nível de cooperação entre as secretarias de agricultura, defesa agropecuária e órgãos ambientais de cada estado. Enquanto alguns estados avançam na criação de plataformas de consulta, outros ainda mantêm sistemas isolados, o que dificulta o cruzamento de informações essenciais para garantir que o gado não venha de áreas com irregularidades ambientais.
O Pará aparece como um caso singular no levantamento. É o único estado entre os analisados onde a emissão da GTA está condicionada à regularidade do CAR da propriedade de origem. Em outras regiões, essa vinculação é feita apenas por meio de consultas técnicas preventivas, que não impedem, na prática, o trânsito do rebanho. Essa disparidade evidencia a necessidade de diretrizes nacionais mais claras para que a rastreabilidade deixe de ser uma iniciativa isolada e se torne uma política de Estado.
Rastreabilidade como ferramenta de transição
A proposta de integrar o CAR à GTA é vista pela Coalizão Brasil como uma solução de curto prazo, fundamental enquanto o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) não é plenamente implementado. Com conclusão prevista apenas para o final de 2032, o PNIB representa o horizonte de longo prazo, mas o setor precisa de respostas imediatas para atender às exigências crescentes de investidores, instituições financeiras e mercados internacionais, como o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR).
Fernando Sampaio, colíder da Força-Tarefa de Rastreabilidade e Transparência da Coalizão Brasil, defende que o debate deve transcender a pecuária e focar na construção de uma infraestrutura pública digital para o agronegócio. Segundo ele, o Brasil já detém dados de alta qualidade, mas o gargalo está em conectá-los com segurança jurídica, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Acesse o estudo completo da Coalizão Brasil para entender os detalhes das recomendações técnicas.
Além de atender aos mercados externos, essa integração fortalecerá os controles sanitários e a gestão de riscos, criando um ambiente de maior confiança para o setor. O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos dessa agenda, trazendo análises sobre como a tecnologia e a gestão pública podem caminhar juntas para garantir a sustentabilidade e a competitividade do agro brasileiro. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que moldam o futuro do nosso campo e da economia nacional.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

