Medalha militar é entregue a Clauro Roberto de Bortolli, autor do pedido de expulsão de Bolsonaro

Medalha militar é entregue a Clauro Roberto de Bortolli, autor do pedido de expulsão de Bolsonaro

Rio Grande do Sul

O procurador-geral de Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, foi agraciado com a Medalha Mérito Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. A distinção, oficializada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (9), coloca em evidência o chefe do Ministério Público Militar (MPM) em um momento de alta tensão jurídica envolvendo a cúpula das Forças Armadas e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Bortolli, que integra o MPM desde 1995, recebeu a honraria em um ato que contemplou outros seis civis e 59 militares, com documento assinado pelo Almirante-de-Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire. A condecoração ocorre meses após o procurador liderar a ofensiva que busca a perda do posto e da patente do ex-presidente, um processo que testa os limites da hierarquia e da disciplina militar diante de crimes contra o Estado Democrático de Direito.

A ofensiva do Ministério Público Militar

Sob a gestão de Bortolli, o MPM apresentou ao Superior Tribunal Militar (STM) elementos que sustentam o pedido de expulsão de Jair Bolsonaro das fileiras militares. A argumentação central do órgão aponta um suposto “descaso” do ex-presidente com os preceitos éticos fundamentais contidos no Estatuto dos Militares. O processo não se limita ao ex-mandatário; inclui também o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

Todos os citados foram condenados em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com penas que variam entre 19 e 27 anos de prisão. Para o MPM, a conduta de Bolsonaro teria violado deveres básicos de probidade, respeito à dignidade humana e acatamento às autoridades civis, configurando uma afronta direta ao funcionamento regular dos Poderes Constitucionais.

Contexto jurídico e o futuro da patente

A Constituição Federal estabelece que militares condenados a penas superiores a dois anos de prisão, em decisão transitada em julgado, estão sujeitos à perda do posto e da patente. O caso em questão é considerado um marco histórico, sendo a primeira vez que o sistema de justiça militar discute a expulsão de integrantes das Forças por crimes contra a democracia. O STM, contudo, ainda não fixou uma data para o julgamento final do mérito.

Em junho, a Corte Militar manteve o prosseguimento do caso ao rejeitar um pedido da defesa de Bolsonaro que buscava o afastamento do ministro tenente-brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo por suspeição. A expectativa jurídica gira em torno de como o tribunal interpretará a aplicação das sanções administrativas em paralelo às condenações criminais já impostas pelo STF. Você pode acompanhar o desenrolar deste e de outros temas relevantes para o cenário nacional no Superior Tribunal Militar.

Trajetória de Clauro Roberto de Bortolli

Natural de General Câmara, no Rio Grande do Sul, Clauro Roberto de Bortolli construiu uma carreira sólida dentro do Ministério Público Militar. Após ingressar na instituição em 1995, ascendeu a procurador de Justiça Militar em 1998 e tornou-se subprocurador-geral em 2016. Sua atuação também incluiu a presidência da Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM) entre 2016 e 2017.

A recondução de Bortolli ao cargo de procurador-geral, oficializada em abril pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou sua posição de liderança. A escolha seguiu o rito democrático do Colégio de Procuradores de Justiça Militar, que o indicou como o primeiro nome da lista tríplice, consolidando sua influência na condução dos processos mais sensíveis sob alçada do MPM.

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Fonte: g1.globo.com