Grupo Prerrogativas critica decisões de Kassio Nunes Marques no TSE

Grupo Prerrogativas critica decisões de Kassio Nunes Marques no TSE

Política

Tensões entre o grupo Prerrogativas e o TSE

O grupo Prerrogativas, coletivo de advogados historicamente alinhado ao presidente Lula (PT), manifestou forte descontentamento com recentes decisões monocráticas proferidas pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em um momento de acirramento da disputa política, o colegiado defende a necessidade de uma contenção à atuação individual de magistrados na corte eleitoral, sob o argumento de que tais medidas podem comprometer a lisura e o resultado do pleito.

O estopim para a reação do grupo foram determinações que impactaram diretamente a campanha petista. Entre elas, a retirada do ar, por duas vezes, do canal “Exército do Lula”. Além disso, o ministro atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para suspender a circulação de um jornal informativo do sindicato dos petroleiros, medida que foi interpretada pelos advogados como um cerceamento direto à liberdade de expressão e ao direito de mobilização política.

Acusações de censura e abuso de poder

Em nota oficial, o Prerrogativas não poupou críticas à postura do magistrado. O grupo classificou as decisões como atos de censura e apontou um suposto “extravasamento de competências” por parte do tribunal. Segundo os advogados, as intervenções estariam beneficiando, de forma evidente, a candidatura de Flávio Bolsonaro, a quem o grupo acusa de utilizar a desinformação como tática política recorrente.

A preocupação central do coletivo é com o impacto dessas decisões monocráticas no processo democrático. O grupo argumenta que medidas proferidas sem a devida fundamentação probatória ou documental, mesmo que em caráter de liminar, possuem um potencial de interferência irremediável no resultado das urnas. Para o Prerrogativas, o TSE deveria priorizar a colegialidade em vez de permitir que decisões individuais alterem o curso da campanha eleitoral.

Críticas à condução dos julgamentos

Além das decisões de Kassio Nunes Marques, o grupo também direcionou críticas, ainda que de forma indireta, ao vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça. O descontentamento refere-se ao pedido de vista feito por Mendonça em um julgamento que já contava com maioria formada para cassar a candidatura de Cícero Lucena (MDB), então adversário do candidato apoiado por Lula no estado da Paraíba.

Para o Prerrogativas, manobras como o pedido de vista para sobrestar julgamentos colegiados, somadas às decisões monocráticas que interditam mecanismos de campanha, fragilizam a segurança jurídica. O coletivo reforça que a contenção ao tribunal é uma medida indispensável para garantir que o processo eleitoral transcorra dentro da normalidade democrática, sem interferências que possam ser interpretadas como abuso de poder.

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Fonte: redir.folha.com.br