Estratégia de permanência no comando do Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), intensificou nos últimos dias as articulações políticas visando a sua reeleição para o comando da Casa em 2027. Em um tabuleiro onde o voto secreto é o protagonista, o parlamentar tem buscado consolidar uma base de apoio que atravessa as fronteiras ideológicas, mirando inclusive parlamentares do PL, sigla que detém a maior bancada da Casa, com 28 das 81 cadeiras.
A estratégia de Alcolumbre conta com o respaldo explícito do presidente Lula (PT). O governo federal enxerga na recondução do senador uma forma de manter a governabilidade e a fluidez de pautas prioritárias no Congresso. Para fortalecer essa candidatura, o comando do Senado tem apostado na condução de temas de alto impacto social, como a PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, cuja votação em primeiro turno está agendada para esta quarta-feira (14).
A disputa pelo controle da pauta legislativa
O cenário para 2027 é marcado por uma disputa de poder que opõe o pragmatismo de Alcolumbre à tentativa do bolsonarismo de assumir a presidência do Senado. Aliados do atual presidente argumentam que uma eventual vitória de nomes como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia reduzir o protagonismo dos senadores nas negociações políticas. Segundo essa leitura, a centralização do poder nas mãos de um nome alinhado estritamente ao núcleo bolsonarista prejudicaria parlamentares, inclusive aqueles que integram o próprio PL, mas que não possuem acesso direto à cúpula do partido.
Nos bastidores, o discurso adotado pelo grupo de Alcolumbre é o da valorização da autonomia do Senado. O argumento é de que o atual presidente atua como um mediador que endurece as negociações com o Executivo, garantindo que o voto de cada senador tenha peso real nas decisões nacionais. Essa narrativa busca atrair o chamado centrão, que vê na figura de Alcolumbre uma garantia de sobrevivência política e de manutenção de influência após as recentes movimentações eleitorais.
Pressão e resistência da bancada bolsonarista
Apesar da articulação, o caminho para a reeleição não é isento de obstáculos. Parlamentares eleitos pelo PL, com forte alinhamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro, defendem a formação de uma chapa “puro-sangue” da legenda. Nomes como Bia Kicis (DF), Carol de Toni (SC) e Marcel Van Hattem (Novo-RS) — integrantes da chamada “bancada do grito” que migram da Câmara para o Senado — pressionam por uma mudança de comando, sustentando que a votação expressiva do partido nas urnas legitima o pleito pela presidência da Casa.
A tensão é agravada pelo cenário político no Amapá, estado de origem de Alcolumbre, onde seus aliados sofreram derrotas significativas nas últimas eleições para o governo e para o Senado. Esse enfraquecimento regional é utilizado pelos críticos como um sinal de desgaste, desafiando a capacidade do senador de manter o controle sobre a articulação nacional. O desfecho dessa disputa, contudo, permanece incerto, dado que o voto secreto no Senado historicamente reserva surpresas e permite que traições partidárias ocorram longe dos holofotes.
O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos das negociações em Brasília. Nosso compromisso é levar até você uma análise precisa e contextualizada sobre os bastidores do poder, garantindo que você tenha acesso a informações de qualidade sobre os rumos da política nacional. Continue conosco para acompanhar as próximas etapas dessa eleição decisiva para o Congresso.
Para mais informações sobre o cenário legislativo, consulte o portal oficial do Senado Federal.
Fonte: redir.folha.com.br

