Exportações de milho recuam 16,3% em outubro e mantêm ritmo estável

Exportações de milho recuam 16,3% em outubro e mantêm ritmo estável

Agro

O setor de agronegócio brasileiro observa com cautela o início das operações de embarque de milho neste mês de outubro. De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume exportado nos primeiros sete dias úteis somou 1,73 milhão de toneladas. O número representa uma queda de 16,3% na comparação com o mesmo período de 2025, quando a média diária atingiu 295,5 mil toneladas, contra as atuais 247,3 mil toneladas.

Desempenho estagnado no fluxo de embarques

A análise dos números revela que o escoamento do cereal ainda não apresentou a aceleração esperada pelos produtores e exportadores. O ritmo atual de embarques mantém-se praticamente estagnado em relação aos resultados registrados em setembro, quando o país movimentou cerca de 248,2 mil toneladas por dia. Embora a defasagem anual tenha diminuído — em setembro, a queda era de 27,8% frente a 2025 —, a estabilidade observada agora sugere que o mercado ainda não encontrou fôlego para elevar o volume de exportação.

Desafios logísticos e metas para o ciclo

Para atingir a meta de 38 milhões de toneladas exportadas no ciclo atual, o setor enfrenta um desafio logístico e comercial significativo. Especialistas do mercado, como o analista Eduardo Vanin, da Agrinvest, apontam que o Brasil precisará elevar consideravelmente a cadência de embarques nos próximos meses. A projeção indica a necessidade de exportar cerca de 6 milhões de toneladas tanto em novembro quanto em dezembro, seguidas por mais 5 milhões em janeiro de 2027.

Impacto dos preços na receita cambial

Apesar da retração no volume físico, o faturamento do setor tem sido parcialmente preservado pelo comportamento dos preços internacionais. O valor médio da tonelada exportada nos primeiros dias de outubro foi de US$ 231,23, um incremento de 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse movimento de valorização atua como um amortecedor, fazendo com que a queda na receita média diária seja de 6,6%, um impacto menos severo do que a redução observada na quantidade de produto embarcado.

O cenário para as próximas semanas permanece aberto, com o mercado aguardando os próximos boletins da Secex para identificar se haverá uma mudança consistente na dinâmica de escoamento. O sucesso do programa de exportações brasileiro dependerá diretamente da capacidade de ampliar o volume diário negociado nos portos.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br