Erika Hilton critica voto de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6x1

Erika Hilton critica voto de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Política

O embate político sobre a jornada de trabalho

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado Federal gerou um forte embate político entre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em declaração à imprensa logo após a votação, realizada nesta quarta-feira (14), a parlamentar classificou o posicionamento do candidato à Presidência como uma “manobra eleitoreira”.

A crítica de Erika Hilton, que é autora de uma proposta apensada ao texto aprovado, concentra-se na ausência física do senador no plenário. Segundo a deputada, o candidato do PL teria mudado de postura apenas para evitar desgastes na reta final da disputa eleitoral, faltando 11 dias para o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A dinâmica da votação e o posicionamento do PL

A sessão no Senado foi marcada por um quórum expressivo, resultando em 75 votos favoráveis ao fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso. O único voto contrário foi registrado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A votação ocorreu em dois turnos e contou com a participação de Flávio Bolsonaro por meio do sistema remoto, uma vez que o parlamentar cumpria agenda de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Para a deputada do PSOL, o apoio do senador ao texto aprovado não reflete suas convicções reais. Ela argumenta que o candidato defende, na verdade, uma proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha. Este projeto sugere que a remuneração seja atrelada à carga horária, permitindo, segundo a visão de Hilton, que a negociação direta entre patrão e empregado fragilize a proteção trabalhista.

Repercussões e o futuro da legislação trabalhista

A parlamentar foi enfática ao alertar sobre possíveis retrocessos caso o projeto defendido pelo grupo político de Flávio Bolsonaro ganhe tração no futuro. “Se ele se tornar presidente do Brasil, a escala 6×1 vai voltar”, afirmou, destacando que o fim desse modelo de jornada é considerado por ela uma das maiores conquistas para a classe trabalhadora desde a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Embora tenha registrado voto favorável, informações de bastidores, como as veiculadas pela coluna Painel, indicam que o senador teria sinalizado a aliados e empresários a intenção de revisar pontos específicos da proposta caso vença o pleito. Durante seu comício em Porto Alegre, o tema da escala de trabalho não foi mencionado pelo candidato, mantendo o foco em outros pilares de sua campanha.

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Fonte: redir.folha.com.br