Centrão articula reforma eleitoral para frear avanço de puxadores de votos

Centrão articula reforma eleitoral para frear avanço de puxadores de votos

Política

Estratégia para conter o crescimento de bancadas ideológicas

Em uma movimentação articulada nos bastidores de Brasília, um grupo de dez partidos que compõem o chamado centrão firmou um acordo para votar uma reforma no sistema eleitoral brasileiro já na primeira semana de novembro. O objetivo central da articulação é alterar as regras de votação antes da posse dos novos congressistas, buscando frear o impacto de figuras políticas conhecidas como “puxadores de votos”, que têm garantido bancadas expressivas para legendas como o PL.

A preocupação do bloco, que inclui siglas como PSD, Republicanos e MDB, surgiu após a análise dos resultados das eleições. O atual modelo de lista aberta, que permite a transferência de votos de candidatos muito populares para outros integrantes da mesma legenda ou federação, beneficiou significativamente nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP). O desempenho desses parlamentares impulsionou o crescimento do PL, que atingiu a marca de 121 deputados federais, consolidando a maior bancada da Câmara desde 1990.

Modelos em debate para a reforma política

Embora exista um consenso sobre a necessidade de mudança, os partidos ainda divergem sobre qual sistema deve substituir o atual. Uma reunião decisiva foi agendada para o dia 28 de outubro, onde as lideranças tentarão unificar o discurso. Entre as propostas em discussão estão o sistema distrital misto — que combina a eleição por regiões com listas partidárias — e o chamado “distritão”, modelo no qual os candidatos mais votados são eleitos diretamente, sem depender da performance do quociente eleitoral do partido.

A urgência do grupo é motivada pela perda de espaço no Legislativo. Dados recentes indicam que o centrão perdeu mais de 20 cadeiras na última eleição. A federação formada por União Brasil e PP, por exemplo, deve encolher de 97 para 87 deputados. Para essas legendas, a estratégia tradicional baseada na distribuição de emendas e ocupação de cargos no Executivo revelou-se insuficiente diante da força das redes sociais e do apelo ideológico dos novos eleitos.

A articulação em torno da presidência da Câmara

A estratégia de reforma foi debatida durante um encontro na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na ocasião, os dez partidos formalizaram o apoio à sua reeleição para o comando da Casa. Motta, ao abordar o cenário político, destacou que as legendas de centro precisam encontrar mecanismos de sobrevivência na atual “selva política”, marcada por uma onda de direita que tem alterado a dinâmica de poder no Congresso Nacional.

A pressa em aprovar as mudanças antes da nova legislatura é vista pelos articuladores como a última oportunidade de alterar as regras do jogo sob a atual correlação de forças. A expectativa é que, ao modificar o sistema de eleição proporcional, o centrão consiga proteger suas bases e impedir que o PL continue expandindo sua influência de forma exponencial a cada pleito.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos desta reforma e os impactos que ela trará para a estrutura do Congresso Nacional. Continue conosco para se manter informado sobre as decisões que moldam o futuro político do Brasil, com a credibilidade e a profundidade que você exige.

Fonte: redir.folha.com.br