BC Fund avança na bolsa com pagamento de dividendos e proposta de cisão no radar

BC Fund avança na bolsa com pagamento de dividendos e proposta de cisão no radar

Economia

O BC Fund (BRCR11), um dos fundos imobiliários mais tradicionais do mercado brasileiro, vive dias de movimentação intensa. Nesta quinta-feira (15), o fundo realizou o pagamento de dividendos no valor de R$ 0,41 por cota, um movimento que, somado à expectativa de mudanças estruturais, impulsionou o otimismo dos investidores. Na sessão, as cotas do fundo registraram valorização de 2,77%, sendo cotadas a R$ 45,57, figurando entre as maiores altas do Ifix.

Proposta de reorganização do portfólio

Além dos proventos, o foco dos cotistas está voltado para uma decisão estratégica proposta pela BTG Pactual Asset Management. A gestora submeteu à consulta formal, com prazo até o dia 7 de novembro, um plano para dividir o portfólio do BRCR11 em dois veículos distintos. Para que a operação seja aprovada, é necessário o aval da maioria dos votos válidos, desde que representem pelo menos 25% das cotas emitidas.

A ideia central é criar o BTOT11 (BTG Pactual Office Towers), um novo fundo que concentraria os ativos considerados premium. Este novo veículo herdaria imóveis de alta qualidade e liquidez, como o Diamond, Eldorado, Sucupira e EZ Tower, em São Paulo, além do edifício Senado, no Rio de Janeiro. O BTOT11 nasceria com patrimônio líquido estimado em R$ 1,6 bilhão e uma estratégia focada em renda recorrente e gestão ativa.

Estratégia de desinvestimento para o BRCR11

Caso a cisão seja confirmada, o BRCR11 passaria por uma reorientação. O fundo permaneceria com os ativos remanescentes — Torre Almirante, CEO e Montreal, todos no Rio de Janeiro — com o objetivo claro de maturação e monetização. A estratégia prevê a venda gradual desses imóveis para reduzir o endividamento e devolver capital aos investidores, operando com um patrimônio de aproximadamente R$ 300 milhões.

A gestão ressalta que a operação não visa gerar lucro ou prejuízo imediato aos cotistas, mas sim organizar a casa. A exposição econômica aos ativos permaneceria inalterada, com a distribuição automática de uma cota do BTOT11 para cada cota do BRCR11 detida pelo investidor. Além disso, a proposta inclui uma redução na taxa de gestão, que cairia de 1,50% para 1,10% ao ano, buscando maior eficiência operacional.

Contexto de mercado e desafios macroeconômicos

A necessidade de mudança, segundo a BTG Pactual Asset, surge em um momento em que o mercado de fundos de lajes corporativas enfrenta desafios significativos. Embora o setor sofra com a desvalorização das cotas, a gestora aponta que o movimento é influenciado majoritariamente por fatores macroeconômicos, e não apenas pelo desempenho individual dos ativos. Atualmente, o BRCR11 negocia com um desconto relevante em relação ao seu valor patrimonial, apresentando uma relação P/VP de 0,52 vez.

A gestora acredita que a cisão é o caminho para destravar valor, resolvendo gargalos como a vacância concentrada e a diferenciação entre ativos core e não core. Ao separar os portfólios, a expectativa é que o mercado consiga precificar melhor cada um dos veículos, conferindo mais clareza e flexibilidade estratégica aos investidores. Para mais análises sobre o mercado financeiro e o desempenho dos seus investimentos, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de informação relevante e contextualizada.

Fonte: seudinheiro.com