Copasa renova cúpula e amplia poder do governo mineiro com golden share

Copasa renova cúpula e amplia poder do governo mineiro com golden share

Economia

A Copasa (CSMG3) iniciou uma nova fase em sua trajetória corporativa. Em uma movimentação rápida após o processo de privatização, a companhia de saneamento mineira anunciou a reestruturação completa de seu conselho de administração e de sua diretoria executiva. A mudança marca o início de um ciclo sob a nova condição de sociedade privada, mas com uma salvaguarda estratégica mantida pelo Estado de Minas Gerais.

A assembleia, que contou com a presença de acionistas detentores de 79,94% do capital social, oficializou a chegada de Augusto Dantas Borges ao cargo de CEO. Ele substitui Marília Carvalho de Melo, que assumiu a presidência em janeiro e agora passa a responder pela diretoria de relações institucionais e sustentabilidade.

Liderança experiente frente aos desafios do saneamento

O novo presidente da Copasa traz na bagagem uma trajetória consolidada no setor. Com mais de 18 anos de atuação no Grupo Equatorial, Dantas foi peça-chave na gestão da Equatorial Maranhão e da Equatorial Pará. Sua experiência inclui a liderança da Companhia de Saneamento do Amapá (CSA) e da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), onde coordenou operações estratégicas que uniram os segmentos de energia e saneamento.

A expectativa do mercado é que essa expertise seja aplicada para destravar valor na companhia mineira. Analistas de instituições financeiras como Bradesco BBI, Itaú BBA e Safra têm demonstrado otimismo. A visão compartilhada é de que a privatização abre caminho para um ciclo de investimentos focado na universalização do saneamento e na eficiência operacional, fatores que podem elevar a companhia a um novo patamar de rentabilidade e distribuição de dividendos na próxima década.

Reforço do poder estatal via golden share

Um dos pontos centrais da assembleia foi a alteração do estatuto social para conferir novos direitos à golden share detida pelo governo de Minas Gerais. Embora o Estado tenha vendido parte de sua participação — com a Equatorial assumindo 30% do capital e tornando-se a principal acionista —, o poder de influência governamental foi preservado e, em certos aspectos, reforçado.

Com essa mudança, o governo mineiro, que detém 5,03% da companhia, garantiu o direito de eleger, em votação separada, um membro para o conselho de administração e outro para o conselho fiscal. Mais do que isso, a prerrogativa de destituição desses cargos é exclusiva do Estado. Esse movimento resultou na rescisão antecipada do acordo de acionistas que vigorava anteriormente, consolidando um novo desenho de governança.

Nova composição da diretoria e do conselho

A estrutura administrativa da Copasa foi renovada para alinhar a gestão aos objetivos dos novos controladores. Além de Augusto Dantas Borges na presidência, a diretoria agora conta com Herbert Arnaud Dantas (operações e engenharia), Adriano Rudek de Moura (financeiro e relações com investidores) e Cleyson Jacomini de Sousa (comercial). O mandato deste grupo se estende até 28 de setembro de 2028.

O conselho de administração também passou por uma reformulação profunda, com a eleição de nove membros, incluindo nomes com histórico em empresas como a Equatorial e a Sabesp, como Tinn Freire Amado e Leonardo da Silva Lucas Tavares de Lima. A nova configuração busca equilibrar a visão estratégica dos investidores privados com a governança necessária para uma empresa de capital misto que desempenha um papel social fundamental.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos da gestão na Copasa e os impactos dessa transição para o mercado e para a sociedade mineira. Continue conosco para se manter informado sobre as movimentações das grandes empresas e os fatos que moldam a economia nacional com a credibilidade que você já conhece.

Fonte: seudinheiro.com