PT aciona Ministério Público para exigir frota de dia útil no transporte de São Paulo

PT aciona Ministério Público para exigir frota de dia útil no transporte de São Paulo

Política

Representação busca garantir plena mobilidade no segundo turno

O vereador Alessandro Guedes, que lidera a bancada do PT na Câmara Municipal de São Paulo, formalizou uma representação junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) com o objetivo de assegurar a operação integral do transporte público na capital paulista durante o segundo turno das eleições. A medida busca obrigar a prefeitura a manter a frota e a frequência de ônibus equivalentes às de um dia útil, garantindo que o direito ao voto não seja cerceado por dificuldades de deslocamento.

A iniciativa surge em um momento de debate sobre a logística urbana em dias de pleito. Segundo o parlamentar, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) estaria operando em desconformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As cortes superiores determinaram que, em dias de votação, as prefeituras e governos estaduais devem assegurar a gratuidade e a oferta de transporte público em patamares compatíveis com a rotina de dias úteis, visando facilitar o acesso dos eleitores às urnas.

Divergências sobre a escala da frota

No centro da disputa está a diferença entre a operação anunciada pela administração municipal e a demanda exigida pela oposição. De acordo com o texto da petição protocolada por Alessandro Guedes, a prefeitura planejou colocar em circulação cerca de 6,9 mil ônibus para o domingo de votação. Embora esse número represente um reforço de 40% em relação aos domingos habituais, o vereador argumenta que o volume equivale apenas aos padrões praticados aos sábados.

O parlamentar sustenta que o parâmetro fixado pelas instâncias superiores exige uma escala significativamente maior. “A programação de um dia útil, que é o parâmetro fixado pelo Supremo e pelo TSE, é de cerca de 12 mil veículos”, aponta o documento. A divergência coloca em lados opostos a estratégia de mobilidade da prefeitura e a interpretação da bancada petista sobre o cumprimento das normas eleitorais vigentes.

Posicionamento da gestão municipal e estadual

Em resposta às críticas, a gestão de Ricardo Nunes tem reiterado que a gratuidade no sistema de ônibus já está consolidada na capital paulista por meio do programa Domingão Tarifa Zero, que dispensa a cobrança de passagens em todos os domingos. A prefeitura defende que o modelo de operação adotado atende aos requisitos de acessibilidade necessários para o pleito.

Paralelamente, o Governo de São Paulo informou que publicou decreto garantindo a gratuidade em trens, metrôs e ônibus intermunicipais sob sua responsabilidade. Em comunicações ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), o estado assegurou que a operação dos modais sob sua gestão seguirá o padrão de dia útil, buscando alinhar-se às recomendações da Justiça Eleitoral para o dia da votação.

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Fonte: redir.folha.com.br