Família denuncia violação de túmulo e troca de ossada em cemitério de Cruz Alta

Família denuncia violação de túmulo e troca de ossada em cemitério de Cruz Alta

Rio Grande do Sul

Um caso de extrema gravidade chocou moradores de Cruz Alta, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, após uma família denunciar a violação de um túmulo e o desaparecimento dos restos mortais de uma mulher falecida em 2021, vítima de Covid-19. Ao tentar realizar a exumação para a transferência dos despojos a um jazigo próprio, os familiares foram surpreendidos ao receberem uma ossada que não pertencia à falecida.

Irregularidades no procedimento de exumação

A filha da falecida, que preferiu não se identificar, relatou que a família foi avisada por terceiros, sem vínculo com a administração do cemitério, de que os restos mortais estavam sendo retirados da gaveta. Ao chegar ao local, a surpresa foi imediata: o material entregue continha uma haste metálica e uma dentadura, características que não condizem com a realidade da mãe, que nunca havia passado por cirurgias ortopédicas ou utilizado próteses dentárias.

A situação tornou-se ainda mais angustiante ao constatarem que, após a retirada, a gaveta já havia sido ocupada por outra pessoa. O questionamento sobre o paradeiro real dos restos mortais da mãe permanece sem resposta por parte da administração do cemitério, gerando um profundo abalo emocional nos familiares, que buscavam há anos a regularização do sepultamento definitivo.

Sindicância e medidas judiciais

Diante da repercussão do caso, a Prefeitura de Cruz Alta informou que instaurou uma sindicância administrativa para apurar as circunstâncias do procedimento. O objetivo é esclarecer por que a exumação ocorreu sem o aviso prévio à família e identificar a origem da ossada entregue erroneamente. O advogado Fagner Pias, que representa os familiares, classificou o episódio como um desrespeito ao luto e à dignidade humana.

A defesa pretende buscar a responsabilização civil do município, que é o responsável pela gestão do campo-santo. A expectativa é que a via judicial force o cemitério a localizar os restos mortais da falecida e ofereça a devida reparação pelos danos sofridos pela família, que teve o processo de luto interrompido e violado por uma falha administrativa.

Investigação policial e contexto

A Polícia Civil, por meio do delegado Ives Trindade, acompanha o caso. Inicialmente, a corporação trabalha com a hipótese de um equívoco administrativo, mas aguarda o envio de documentos e informações oficiais da administração do cemitério para definir se houve crime ou negligência grave. O delegado ressaltou que, neste momento, a investigação busca reunir elementos para formar um juízo de valor preciso sobre a conduta dos envolvidos.

O caso levanta um debate necessário sobre a gestão de cemitérios públicos e a transparência nos processos de exumação. A família, enquanto aguarda o desenrolar das investigações, mantém a esperança de solucionar o mistério sobre o paradeiro da mãe, encerrando um ciclo de incertezas que se arrasta desde a morte da mulher. Para mais detalhes sobre este e outros desdobramentos regionais, continue acompanhando o portal ConexRS, seu compromisso diário com a informação apurada e de qualidade.

Para mais informações sobre a legislação de cemitérios, consulte o portal oficial do Ministério da Saúde.

Fonte: g1.globo.com