A Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizou, na manhã desta sexta-feira (16), a Operação Sombra Digital, coordenada pela Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (DICESP). O objetivo foi cumprir nove mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, abrangendo bairros como Costa e Silva, Mário Quintana, Vila Jardim e Vila João Pessoa, além de uma cela na Cadeia Pública de Porto Alegre.
Esquema de extorsão digital desvendado
A operação é resultado de uma investigação que revelou um esquema de extorsão digital. De acordo com a polícia, um grupo criminoso usava várias linhas telefônicas, aparelhos compartilhados e chaves PIX em nome de terceiros para extorquir dinheiro de uma vítima, ameaçando expor conteúdos íntimos.
As investigações indicam que o crime era coordenado de dentro do sistema prisional, liderado por um detento associado a uma facção da capital.
Modus operandi e impacto psicológico
O caso ganhou notoriedade após a vítima registrar uma ocorrência policial relatando que, a partir de 4 de agosto de 2026, começou a receber mensagens via WhatsApp de diferentes números, exigindo R$ 10 mil para não divulgar imagens e conversas privadas para familiares e colegas de trabalho.
Para dificultar a obtenção de provas, os criminosos usavam o recurso de visualização única do aplicativo de mensagens. No dia seguinte, uma nova linha telefônica reiterou a cobrança. Para aumentar a pressão psicológica, o grupo enviou dados pessoais sigilosos da vítima e de seus familiares, como endereços residenciais e locais de trabalho, demonstrando monitoramento e acesso a informações privadas.
A equipe da DICESP realizou uma análise detalhada de dados telemáticos e financeiros, permitindo identificar o detento na Cadeia Pública como o coordenador das ações, atuando em conjunto com familiares e colaboradores externos.
Reação das autoridades
A Justiça autorizou os mandados de busca e apreensão nos endereços de oito investigados, além da cela do líder do esquema. A operação visa apreender celulares, chips de operadoras, documentos bancários, comprovantes de transações via Pix e outros instrumentos utilizados na prática ilícita.
O diretor operacional do Dercc, delegado Filipe Borges Bringhenti, destacou o uso de tecnologia avançada no combate aos crimes cibernéticos. “Esta operação envia uma mensagem clara: o suposto anonimato da internet não protege criminosos. Quem usa o ambiente virtual para extorquir e expor a intimidade alheia deve saber que as técnicas de disfarce digital já são superadas pelo aparato tecnológico da Polícia Civil. Nós rastreamos os passos, quebramos os sigilos necessários e alcançamos os responsáveis onde quer que tentem se esconder.”
As investigações continuam para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no esquema de extorsão.
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Fonte: agorars.com

