Calor reduz qualidade da uva branca no Vale do São Francisco apesar de alta de 4,4%

Calor reduz qualidade da uva branca no Vale do São Francisco apesar de alta de 4,4%

Agro

Os preços da uva branca sem semente registraram alta na região produtora localizada entre Pernambuco e Bahia, impulsionados por uma combinação de demanda firme e exportações aquecidas. Contudo, o cenário no campo é marcado por desafios climáticos severos, que impõem barreiras à qualidade e ao aproveitamento integral da colheita atual.

De acordo com levantamentos de mercado divulgados pelo Cepea, o mercado reagiu a uma oferta mais controlada da fruta no período analisado, garantindo fôlego nas negociações voltadas ao consumidor final e ao comércio externo.

Valorização no mercado embalado e estabilidade na roça

A uva branca sem semente embalada, classificada como categoria 1, alcançou média de R$ 11,60 o quilo, o que representou um avanço de 4,4% em comparação ao ciclo imediatamente anterior. Enquanto isso, na roça, a cotação se manteve estável em R$ 5,50 o quilo, refletindo uma dinâmica diferenciada entre a fruta pronta para o consumo e o produto bruto comercializado diretamente pelos produtores.

O ritmo dos embarques internacionais ganhou tração em relação às primeiras semanas do mês, ajudando a enxugar os estoques regionais. Com a procura interna também favorável, o controle da disponibilidade deu o suporte necessário para a valorização da fruta embalada nas prateleiras e nos centros de distribuição.

O impacto do calor intenso nas lavouras

Apesar do momento comercial favorável, o calor extremo permanece como um obstáculo crítico para os agricultores. As temperaturas máximas registraram patamares próximos de 40°C durante a semana, elevando o estresse térmico nas plantações da região banhada pelo rio São Francisco.

Produtores locais apontam que os principais prejuízos recaem sobre a aparência visual dos frutos. Lavouras com menor massa foliar sofrem mais, pois deixam os cachos expostos de maneira direta à radiação solar, o que resulta na formação de bagas amareladas e reduz o potencial de comercialização da colheita.

Comportamento divergente da variedade BR’s Vitória

Enquanto a uva branca sem semente comemorou a alta nos preços, a variedade BR’s Vitória seguiu uma trajetória oposta no mesmo período. O tipo embalado encerrou as cotações com média de R$ 9,80 o quilo, recuando 2,3% frente ao balanço anterior.

A desvalorização ocorreu devido à presença de lotes com resíduos, fator que dificulta o fechamento de negócios com compradores estrangeiros. Essa restrição gera acúmulo temporário de estoques no mercado doméstico e pressiona as cotações para baixo, mostrando um panorama heterogêneo na fruticultura regional.

Para as próximas semanas, especialistas avaliam que o ajuste na frequência de irrigação poderá auxiliar no desenvolvimento adequado das bagas e na recuperação da qualidade. Enquanto isso, o ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos do setor agropecuário, trazendo análises aprofundadas sobre economia, clima e mercado para manter você sempre bem informado sobre os principais temas do Brasil e do mundo.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br