O comércio internacional de produtos de animais aquáticos movimentou US$ 184 bilhões, conforme aponta o relatório The State of World Fisheries and Aquaculture 2026 (SOFIA), divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A expressiva dimensão desse mercado global, somada ao avanço contínuo da produção interna, abre novas frentes de expansão e consolidação para o país na cadeia produtiva do pescado.
Enquanto o consumo mundial alcançou a média de 21,3 quilos por pessoa ao ano segundo a FAO, o mercado brasileiro registra indicador de 12,6 quilos por habitante anualmente, conforme dados do Anuário Seafood Brasil. Os números detalham o potencial de crescimento do consumo doméstico, impulsionado pela busca por fontes diversificadas de proteína e pela ampliação dos canais de distribuição alimentar em todo o território nacional.
Crescimento da aquicultura e produção nacional
O relatório global da FAO indica que a produção mundial de animais aquáticos e algas chegou a 235 milhões de toneladas, sendo 195 milhões referentes exclusivamente a animais aquáticos. Pela primeira vez na história recente, a aquicultura ultrapassou a marca de 100 milhões de toneladas produzidas, enquanto a pesca extrativa manteve-se estável, limitada pelas condições dos estoques naturais e por fatores ambientais.
No cenário interno, a produção de peixes cultivados atingiu 1,011 milhão de toneladas em 2025, representando alta de 4,41% em relação ao período anterior, de acordo com o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). A tilábia consolidou-se na liderança com 707.495 toneladas, equivalente a aproximadamente 70% do total nacional, complementada pelo cultivo de espécies nativas como tambaqui e pirarucu.
Dinâmica das importações e das exportações
Apesar da robusta produção doméstica, o mercado brasileiro mantém fluxo ativo de importações para assegurar variedade e regularidade no abastecimento, contando com parceiros como Chile, Vietnã, Argentina e Equador. Nas vendas externas, os Estados Unidos destacam-se como principais compradores de filés frescos de tilábia, lagosta e espécies costeiras como o pargo, enquanto a China absorve volumes expressivos de pescada-amarela, lagosta e bexiga natatória.
O setor enfrentou desafios recentes após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos em 2025, que resultaram em recuo de 39% na receita e de 41% no volume exportado no primeiro trimestre de 2026. No entanto, a posterior isenção aplicada a produtos específicos ajudou a reaver parte da competitividade externa, permitindo que a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) projete uma recuperação das exportações rumo a patamares próximos de US$ 600 milhões.
Expansão no varejo e desafios no food service
O varejo alimentar brasileiro tem desempenhado papel fundamental na comercialização do pescado. Dados do Ranking ABRAS 2025 revelam que o faturamento das seções de peixaria saltou de R$ 4,44 bilhões em 2020 para R$ 12,33 bilhões em 2024, acumulando avanço de cerca de 178% e superando o crescimento geral do setor supermercadista no intervalo.
Por outro lado, o segmento de alimentação fora do lar convive com margens estreitas e perdas operacionais. O estudo Raio-X do Pescado no Food Service do Brasil 2026–2027 apontou que 43% das operações consultadas registram perdas superiores a 12% do pescado adquirido, evidenciando a urgência de melhorias na padronização, no rendimento e na redução de desperdícios.
Para debater esses desafios, tendências e novas parcerias comerciais, a quinta edição da Seafood Show Latin America ocorrerá de 20 a 22 de outubro no Distrito Anhembi, em São Paulo. O evento reunirá cerca de 120 marcas e dezenas de compradores nacionais e internacionais, fomentando negócios estratégicos para toda a cadeia produtiva.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

