Tribunal eleitoral recusa apoio logístico e suprimentos a aldeias no Amazonas

Tribunal eleitoral recusa apoio logístico e suprimentos a aldeias no Amazonas

Justiça

A Justiça Eleitoral do Amazonas negou a gratuidade de transporte fluvial, água e alimentação para indígenas de 43 aldeias da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, no dia da votação do segundo turno das eleições. O pedido havia sido protocolado formalmente pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que apontava sérias dificuldades logísticas para o deslocamento das comunidades até as urnas.

Na decisão proferida pela magistratura, reconheceu-se a pertinência e a relevância social da demanda, ressaltando que o acesso ao sufrágio em condições de igualdade é um preceito fundamental garantido pela Constituição Federal. No entanto, a solicitação foi indeferida sob a justificativa de que teria sido apresentada fora do prazo legal necessário para a estruturação de uma operação logística de tal complexidade, além da argumentação de ausência de recursos orçamentários específicos para este fim.

Impacto na participação e antecedentes logísticos

Representantes da Univaja destacaram que em pleitos anteriores houve cooperação direta entre órgãos públicos e as lideranças locais para viabilizar a circulação dos eleitores pelas vias fluviais da região. Como essa articulação estruturada não se repetiu no pleito atual, os índices de abstenção entre as comunidades atingiram patamares considerados elevados, variando entre 30% e 35% logo no primeiro turno.

A entidade indígena manifestou profunda preocupação com o cenário, argumentando que a omissão na garantia de meios de locomoção compromete diretamente o exercício da cidadania de populações tradicionais. Para saber mais sobre os procedimentos e regulamentos das votações em curso, consulte as orientações oficiais da Agência Brasil.

Desafios geográficos no Vale do Javari

Considerada a segunda maior extensão territorial destinada a povos originários no país, a Terra Indígena do Vale do Javari abrange impressionantes 8,5 milhões de hectares no estado do Amazonas. A região, localizada em uma zona de tríplice fronteiriça internacional, abriga dezenas de aldeias e concentra um expressivo número de grupos em isolamento voluntário.

Além das barreiras geográficas inerentes à Amazônia profunda, a localidade enfrenta constantes pressões decorrentes de atividades ilícitas, como exploração madeireira desautorizada, garimpo e rotas do narcotráfico. O território também ficou mundialmente marcado pela repercussão do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, mortos em 2022.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br