Eleição presidencial molda estratégias de investimento e juros altos, avalia CEO da EQI

Eleição presidencial molda estratégias de investimento e juros altos, avalia CEO da EQI

Economia

A poucos dias da definição da eleição presidencial, Juliano Custódio, CEO da EQI, já traça estratégias para os diferentes cenários que podem surgir após o resultado das urnas. Para o executivo, uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende a manter os juros em patamares elevados por mais tempo, favorecendo investidores de renda fixa e estratégias voltadas à captura de renda financeira no país.

“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, afirma em entrevista ao Money Times, parceiro do Seu Dinheiro. Segundo o especialista, o mercado passou a precificar, nas últimas semanas, uma trajetória mais favorável para os juros, refletindo a expectativa de um ajuste fiscal capaz de melhorar a dinâmica das contas públicas.

Caso essa percepção seja frustrada, ativos de risco como ações podem enfrentar turbulências significativas. Apesar disso, o executivo ressalta que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) também não eliminaria os desafios econômicos para o mercado nacional.

Juros no centro da discussão financeira

Custódio rebate a ideia de que o mercado financeiro tenha preferência declarada por determinado candidato nas urnas. Para ele, o foco principal dos investidores está na perspectiva futura para os juros e na estabilidade da dívida pública.

“O que fazemos é analisar as políticas propostas e tentar entender qual candidato tem mais condições de proporcionar esse cenário. No fim do dia, não é sobre a pessoa. É sobre quem pode trazer juros mais baixos para que as empresas sofram menos”, pontua o executivo durante a análise.

Enquanto Flávio Bolsonaro defende um ajuste fiscal, ainda sem detalhar completamente como pretende executá-lo, Lula aposta no crescimento econômico como ferramenta central para estabilizar a trajetória da dívida pública brasileira ao longo dos próximos anos.

Bolsa barata e desafios para 2027

Mesmo com as incertezas políticas que cercam o pleito, Custódio enxerga oportunidades relevantes na bolsa brasileira. Segundo ele, muitas empresas negociam atualmente a múltiplos bastante descontados porque o elevado custo da dívida pesa diretamente sobre os resultados corporativos.

“As empresas estão muito descontadas. Uma simples queda na taxa de juros já faria os lucros crescerem consideravelmente”, avalia o CEO. Ainda assim, ele faz um alerta importante de que a melhora do ambiente macroeconômico não acontecerá de forma automática após o término da eleição.

“Não é porque muda o governo que o Brasil melhora de um dia para o outro. O ano de 2027 ainda será difícil”, reforça o executivo ao projetar o horizonte de médio prazo para a economia.

Posicionamento da EQI diante das urnas

De olho em um cenário de juros mais baixos no médio prazo, a EQI reforçou posições em títulos prefixados, papéis indexados à inflação e outros ativos que demonstram maior sensibilidade à oscilação das taxas no mercado financeiro.

“O juro futuro já caiu quase dois pontos percentuais desde o primeiro turno. Não acredito que caia muito mais daqui para frente sem reformas estruturais”, aponta Custódio sobre a dinâmica recente dos mercados.

Na avaliação da corretora, caso o próximo governo consiga combinar crescimento sustentável e credibilidade fiscal, ativos como ações, fundos imobiliários e títulos prefixados ainda terão bastante espaço para entregar retornos expressivos aos investidores.