Datafolha revela polarização de sentimentos no país antes do segundo turno das eleições

Datafolha revela polarização de sentimentos no país antes do segundo turno das eleições

Política

Na reta final para a definição do cenário político nacional no segundo turno, a população brasileira apresenta um quadro de divisão em suas percepções emocionais sobre o rumo do país. Um levantamento do instituto Datafolha aponta que 49% dos eleitores se declaram confiantes sobre o futuro do Brasil, enquanto 48% manifestam medo em relação ao que está por vir. Apenas 2% dos entrevistados não souberam responder ao questionamento.

Os números refletem o clima de equilíbrio e forte expectativa que cerca o momento decisivo da disputa eleitoral. O levantamento capta não apenas a projeção do eleitorado para os próximos anos, mas também as sensações vivenciadas em relação ao momento socioeconômico e político atual do país.

Métricas do Datafolha apontam insegurança no cotidiano e esperança no amanhã

Além da projeção do futuro, o estudo avaliou a percepção do brasileiro sobre o momento presente. Quando questionados sobre como se sentem em relação ao Brasil de hoje, 62% dos cidadãos afirmaram sentir insegurança. Em contrapartida, 36% disseram sentir segurança, e 2% não opinaram.

A pesquisa também apresentou aos entrevistados uma série de pares de sentimentos opostos para mapear o estado emocional coletivo. Na relação entre raiva e tranquilidade, 53% afirmaram se sentir tranquilos, enquanto 42% relataram raiva e 5% não souberam responder.

Já no tocante ao ânimo para enfrentar a rotina do país, a maioria se disse desanimada (54%), frente a 44% que se declararam animados. O sentimento de tristeza também superou o de felicidade: 54% declararam sentir tristeza, contra 43% que se disseram felizes. No entanto, na comparação entre medo e esperança em termos gerais, a esperança sobressaiu, sendo citada por 56% dos entrevistados, contra 43% que manifestaram ter mais medo.

Classificação das tendências emocionais dos eleitores brasileiros

Para compreender de forma integrada o perfil emocional da população, o instituto desenvolveu uma metodologia que agrupa os entrevistados em três categorias principais: otimistas, pessimistas e hesitantes. A classificação leva em consideração a quantidade de respostas negativas fornecidas em relação aos seis itens pesquisados.

Foram identificados como otimistas os eleitores que registraram sentimentos negativos em no máximo duas das seis opções apresentadas. Esse grupo representa 43% do total de entrevistados. Por outro lado, os pessimistas — aqueles que assinalaram respostas negativas em cinco ou seis itens — somam 36% do eleitorado. Os hesitantes, que indicaram percepções negativas em três ou quatro tópicos, correspondem a 22%.

Mudança no perfil do eleitorado na reta final da disputa

A distribuição das percepções emocionais registrou alterações em relação aos levantamentos anteriores. No levantamento feito entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro, o grupo dos pessimistas era majoritário, alcançando 43% da amostra, enquanto os otimistas somavam 35%. A inversão nos percentuais sugere uma oscilação na atitude psicológica do eleitorado no período que antecede a votação decisiva.

A apuração dos dados foi registrada formalmente junto ao Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09709/2026. A amostragem ouviu 2.520 eleitores com 16 anos ou mais, em 154 municípios espalhados pelo território nacional, entre os dias 20 e 22 de outubro. A margem de erro máxima para o total do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança estatístico padrão.