Cotação do trigo alcança R$ 1.700 no RS e oscilação externa freia negociações

Cotação do trigo alcança R$ 1.700 no RS e oscilação externa freia negociações

Agro

O mercado de trigo no Brasil apresenta diferenças expressivas de preços conforme a qualidade dos grãos, em um cenário de dificuldades na safra do Sul e pressão das cotações internacionais. No Rio Grande do Sul, negócios pontuais com trigo da safra anterior chegam a R$ 1.700 por tonelada, sustentados pela procura da indústria por matéria-prima adequada à moagem.

Qualidade dos grãos e impactos no mercado sulista

A demanda por trigo da safra anterior permanece elevada no mercado gaúcho. Conforme levantamentos especializados, foram registrados negócios de até R$ 1.650 por tonelada na modalidade FOB, com operações pontuais alcançando R$ 1.700. O interesse pelo cereal armazenado está associado às dificuldades de qualidade do trigo novo. Entre os problemas relatados estão o baixo número de queda, conhecido pela sigla FN, e níveis elevados de DON, micotoxina que compromete a adequação dos lotes às exigências da indústria.

Apesar da procura por produto de melhor qualidade, o comportamento dos preços não é uniforme. Em Panambi, a cotação ao produtor caiu R$ 2, para R$ 73 por saca. Esse descompasso reforça a importância de avaliar as características do cereal antes da comercialização. Classificação, peso hectolítrico, proteína, frete e despesas de armazenagem devem entrar na comparação entre propostas.

Cenário nos estados vizinhos e pressão externa

No Paraná, a disponibilidade de trigo com qualidade inferior pressiona as negociações. O cereal destinado à alimentação animal apresentou queda de R$ 100 por tonelada, enquanto os negócios permanecem concentrados nos tipos 2 e 3. As referências indicam R$ 1.650 por tonelada para o trigo tipo 1, R$ 1.450 para o tipo 2 e R$ 1.200 para o tipo 3. A diferença entre os extremos chega a R$ 450 por tonelada, evidenciando o peso da classificação na remuneração. Em Santa Catarina, a qualidade dos grãos também preocupa os moinhos, que enfrentam dificuldades para obter trigo importado.

Conforme dados da Epagri, a área cultivada na safra 2026/27 deve diminuir aproximadamente 35%, enquanto a produtividade pode recuar 2,5%. A produção está estimada em 243 mil toneladas, volume cerca de 37% inferior ao da temporada anterior. No exterior, o trigo acumula oito semanas consecutivas de desvalorização nos Estados Unidos, na maior sequência negativa desde 1997, conforme a TF Agroeconômica.

Estratégias de comercialização e importação

Para os produtores, a recomendação é distribuir as vendas ao longo do tempo, considerando a necessidade de caixa e o custo de manter o cereal armazenado. Às cooperativas, a orientação é separar os estoques por qualidade e direcionar cada lote ao comprador que melhor remunere suas características. Já os cerealistas devem priorizar aquisições com revenda definida e buscar alternativas comerciais para o trigo que não atende ao padrão dos moinhos.

O trigo importado aparece como opção para complementar o abastecimento de matéria-prima com qualidade adequada à indústria. O produto argentino foi cotado a US$ 320 por tonelada em Porto Alegre e a US$ 325 em Paranaguá, enquanto o trigo paraguaio chegou a US$ 295 por tonelada no Oeste do Paraná. Diante das diferenças entre os lotes nacionais e da pressão internacional, qualidade, logística e margem permanecem no centro das decisões de comercialização.