Uso de biodiesel acima do B15 surge como alternativa para evitar desabastecimento no Brasil

Uso de biodiesel acima do B15 surge como alternativa para evitar desabastecimento no Brasil

Agro

Em um cenário de incertezas logísticas e preocupações com a segurança energética, o setor de biocombustíveis brasileiro coloca sobre a mesa uma solução para mitigar os riscos de falta de diesel no país. A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) defende que a utilização de misturas superiores ao atual padrão B15 — que estabelece 15% de biodiesel no diesel fóssil — pode ser um caminho estratégico para reduzir a dependência de importações e garantir a continuidade das operações no campo e nas cidades.

Segurança energética e o papel do uso voluntário

A discussão ganhou tração após relatos de dificuldades no fornecimento de diesel, especialmente no Rio Grande do Sul, onde a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) apontou atrasos que impactam diretamente o início do plantio da safra de verão. Em momentos de pico de demanda, qualquer interrupção na cadeia logística pode comprometer desde o preparo do solo até a colheita, gerando prejuízos em cascata para a economia nacional.

Atualmente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) permite o uso voluntário de biodiesel em teores acima do B15 sem a necessidade de autorização prévia, exigindo apenas a comunicação formal à agência e o cumprimento de normas técnicas. Essa flexibilidade abre espaço para que cooperativas, frotistas e produtores rurais possam optar por misturas mais elevadas, utilizando um combustível produzido internamente e menos sujeito às oscilações dos mercados internacionais.

A proposta do B17 e a soberania nacional

Além da flexibilização voluntária, a APROBIO pressiona por uma medida mais estrutural: a adoção obrigatória do B17. Segundo Jerônimo Goergen, presidente da associação, elevar a mistura para 17% é uma estratégia fundamental para fortalecer a soberania energética do Brasil. A entidade estima que a implementação do B17 adicionaria cerca de 125 mil metros cúbicos mensais de biodiesel ao mercado nacional, volume capaz de substituir a importação de três a quatro navios de diesel por mês.

O Brasil, que ainda depende significativamente de combustíveis estrangeiros — com cerca de 80% das importações provenientes dos Estados Unidos —, vê na expansão do biodiesel uma forma de estabilizar preços e proteger o setor produtivo contra choques externos. O governo federal já realiza estudos técnicos para avaliar o comportamento de motores com misturas que chegam a até B25, analisando durabilidade e desempenho, o que sinaliza um horizonte de transição energética mais robusta.

Impactos na economia e no agronegócio

A ampliação da mistura não se limita à questão do abastecimento. Trata-se de um movimento que movimenta toda a cadeia produtiva, desde a agricultura familiar, que fornece matéria-prima, até a indústria de processamento. O fortalecimento dessa rede gera empregos e renda em diversas regiões do país, alinhando-se às metas globais de descarbonização e ao compromisso brasileiro com uma matriz energética mais limpa.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br