Jogadores da seleção do Paraguai cobram Justiça por prejuízos após crise no Ueno Bank

Jogadores da seleção do Paraguai cobram Justiça por prejuízos após crise no Ueno Bank

Esporte

Os jogadores da seleção de futebol do Paraguai divulgaram nesta quarta-feira (4) uma carta aberta em que expressam solidariedade aos correntistas afetados pela grave crise financeira no Ueno Bank. O documento revela que diversos atletas da equipe nacional também figuram como vítimas do escândalo que abalou o sistema financeiro do país.

A intervenção realizada pelo Banco Central do Paraguai no banco digital atingiu uma instituição com mais de 2,9 milhões de clientes e gerou forte repercussão política e institucional, culminando na renúncia do presidente do país, Santiago Peña, e do chefe do Banco Central, Carlos Carvallo.

Repercussão entre atletas que atuam no Brasil

O manifesto público foi compartilhado nas redes sociais por importantes nomes do futebol sul-americano que atuam em clubes brasileiros. Entre os signatários e divulgadores da nota estão o zagueiro Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e da seleção paraguaia, além de atletas como o zagueiro Fabián Balbuena, do Grêmio, o meia Damián Bobadilla, do São Paulo, e o atacante Isidro Pitta, do Red Bull Bragantino.

Procurado pela imprensa por meio da assessoria do Palmeiras, Gustavo Gómez não comentou o caso de forma isolada, seguindo a diretriz do clube de que atletas não concedem entrevistas em dias de partida, exceto nas obrigatoriedades de pós-jogo na zona mista. Dez jogadores da seleção paraguaia preveem ingressar com uma ação coletiva contra a instituição financeira.

Impacto econômico e colapso institucional

O Ueno Bank administrava mais de US$ 850 milhões, o equivalente a cerca de R$ 4,7 bilhões, incluindo recursos públicos do Instituto de Previdência Social, órgão encarregado do sistema estatal de aposentadorias do país. A crise veio à tona após o índice de solvência do banco despencar para 5,56%, situando-se consideravelmente abaixo do patamar mínimo regulatório de 12% exigido no território nacional.

A desestabilização provocou a suspensão imediata de todos os serviços digitais e físicos do banco, deixando milhões de correntistas sem acesso a caixas eletrônicos e transações online. O cenário caótico resultou na prisão de oito pessoas ligadas à cúpula da instituição, incluindo o presidente, dois vice-presidentes e o fundador do banco.

Cobrança por prioridade aos mais vulneráveis

No texto divulgado, os atletas enfatizam que, embora também tenham sofrido prejuízos financeiros diretos, a prioridade absoluta das autoridades deve ser a proteção da população de baixa renda e dos trabalhadores que investiram as economias de uma vida na instituição.

O documento reforça a exigência de que o governo e o sistema de Justiça ajam com rigor e transparência para punir os responsáveis pelo colapso. Enquanto avaliam medidas legais individuais, os jogadores reiteram o compromisso de defender os direitos garantidos por lei sem se omitir diante da crise que afeta milhares de famílias paraguaias.

Para mais informações sobre o desdobramento econômico e político na região, acesse a cobertura completa no portal de notícias Reuters.