Citi recomenda venda de Banco do Brasil após eleições e altera apostas

Citi recomenda venda de Banco do Brasil após eleições e altera apostas

Economia

A nova rodada de revisões realizada pelo Citi para o setor financeiro resultou em um cenário de rebaixamentos generalizados no mercado brasileiro. Com o encerramento do processo eleitoral, a instituição americana adotou uma postura mais conservadora, apontando que o ambiente econômico atual exige cautela devido ao aumento das incertezas fiscais e à manutenção de patamares elevados para as taxas de juros.

Essa guinada estratégica impactou diretamente grandes instituições e alterou a preferência dos analistas entre os ativos da bolsa, priorizando empresas com perfis mais defensivos ou modelos de negócio resilientes diante de oscilações macroeconômicas. Confira a seguir como ficaram as principais recomendações e onde o mercado enxerga alternativas.

Impacto direto no Banco do Brasil e corte de preço-alvo

A principal mudança na carteira sugerida envolveu o Banco do Brasil (BBAS3), cuja recomendação despencou para venda. O preço-alvo atribuído à estatal foi reduzido de R$ 22,40 para R$ 15, o que indica um potencial de desvalorização relevante em comparação ao fechamento registrado na última segunda-feira (27).

De acordo com os relatórios divulgados, a tese voltada para o papel estatal passa a enfrentar obstáculos cada vez mais nítidos na qualidade geral da carteira de crédito. Entre os pontos de atenção apontados pelos especialistas estão a exposição sensível ao setor do agronegócio e riscos adicionais de natureza política e regulatória.

Revisões em Bradesco e destaque para o Itaú Unibanco

Outro gigante do setor que sofreu ajustes foi o Bradesco (BBDC4). A recomendação da instituição privada recuou para neutra, enquanto a estimativa de preço-alvo passou de R$ 21 para R$ 16.

Em contrapartida, no grupo dos grandes bancos de capital aberto, apenas o Itaú Unibanco (ITUB4) conseguiu preservar a recomendação de compra. O desempenho consistente na qualidade dos lucros, a disciplina operacional na concessão de crédito e a sólida base de capital foram destacados como diferenciais competitivos essenciais.

Seguradoras ganham atratividade em meio às incertezas

Enquanto o setor bancário tradicional enfrenta ventos contrários, as empresas voltadas ao mercado de seguros ganharam espaço e passaram a figurar entre as apostas favoritas para o momento econômico atual.

O Citi elevou os papéis da Caixa Seguridade (CXSE3) e da Porto (PSSA3) para a categoria de compra, sustentando a decisão no perfil defensivo que essas companhias conseguem entregar aos investidores.

As organizações combinam fatores fundamentais para cenários voláteis, como fluxos de caixa consistentes, distribuição atrativa de dividendos e lucros previsíveis. Um estudo de mercado especializado detalha como a preferência por ativos geradores de caixa tem moldado as estratégias recentes no país.

Pressão sobre o mercado de capitais e corretoras

Por outro lado, o segmento associado ao mercado de capitais acumulou revisões desfavoráveis na mesma análise. Companhias como XP Inc. (XP), B3 (B3SA3), BR Partners (BRBI11) e PagSeguro (PAGS) tiveram suas recomendações rebaixadas para o patamar neutro.

A avaliação predominante é de que o cenário de juros altos e o quadro fiscal menos previsível exercem pressão sobre o apetite ao risco dos investidores, limitando o ritmo de expansão dessas operações no curto e médio prazo.