O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não aprovou o conteúdo da carta de teor golpista divulgada por Flávio Bolsonaro logo após o parlamentar deixar o país rumo aos Estados Unidos. Questionado por jornalistas durante sua agenda em Brasília, o dirigente limitou-se a declarar que “não gostou” do documento.
A manifestação ocorreu enquanto Valdemar se dirigia a uma visita autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar devido a investigações relacionadas a uma tentativa de golpe de Estado no país.
Repercussão da carta e mudanças no texto
A controvérsia ganhou força após a derrota nas urnas para o atual presidente Lula (PT). Na ocasião, Flávio Bolsonaro embarcou para Miami, nos Estados Unidos, destino que marcou o ápice de sua saída do território nacional. A viagem aconteceu após determinação do ministro Alexandre de Moraes para a entrega dos passaportes do congressista, alvo de apurações sobre suposta lavagem de dinheiro — acusações que o político nega veementemente.
A carta inicial divulgada por aliados do senador continha trechos considerados golpistas e nos quais ele se autoproclamava “presidente eleito do Brasil”. Cerca de uma hora após a publicação da versão original, o texto passou por alterações, substituindo a expressão mais drástica por “líder do Brasil”. No total, o documento passou por quatro modificações antes de estabilizar sua circulação entre apoiadores e críticos nas redes sociais.
Visita autorizada e cenário político
O posicionamento de Valdemar Costa Neto evidencia os desgastes internos na legenda diante de episódios que tensionam a relação com o Poder Judiciário. O dirigente do PL tem buscado calibrar o discurso público do partido enquanto lideranças expressivas enfrentam restrições judiciais rigorosas e investigações conduzidas pela Suprema Corte.
A visita monitorada ao ex-presidente Jair Bolsonaro faz parte das articulações políticas da cúpula partidária em meio ao xadrez eleitoral e jurídico que movimenta a capital federal. A postura de distanciamento adotada por Valdemar em relação ao episódio protagonizado por Flávio Bolsonaro ilustra as divergências estratégicas dentro do próprio grupo político em um momento de alta vigilância institucional.

