O volume de atrasos nos pagamentos do financiamento agropecuário direcionado a pessoas físicas apresentou uma retração importante durante o mês de setembro. Segundo balanço divulgado pelo Banco Central, o índice de calote nessa modalidade caiu para 8,7%, superando a marca de 9,7% registrada no mês de agosto.
Apesar do alívio pontual observado no encerramento do terceiro trimestre, os dados oficiais mostram que o setor ainda lida com pressões acumuladas. No ano, o indicador de inadimplência contabiliza uma elevação de 2,1%, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses a alta chega a 3,3%.
Recuo expressivo no financiamento de pessoas físicas
A diminuição dos atrasos refletiu diretamente no volume total dos recursos movimentados no campo. O saldo da carteira de crédito rural de pessoas físicas com recursos direcionados encerrou o mês de setembro em R$ 548,535 bilhões no sistema financeiro nacional.
O montante representa um encolhimento de 2,3% na comparação direta com o mês de agosto. Em um horizonte mais amplo, a carteira acumula uma queda de 1,8% ao longo do ano, mas ainda ostenta um crescimento tímido de 0,7% quando comparada ao mesmo período do ano anterior.
Diferenças entre juros regulados e taxas de mercado
Ao analisar as divisões da carteira de crédito, observa-se que o comportamento dos tomadores varia significativamente conforme o tipo de taxa contratada. Nas operações pactuadas a taxas de mercado, a taxa de inadimplência recuou de 17,6% em agosto para 15,8% em setembro. Mesmo com a melhora no mês, a linha livre segue como a mais onerosa, acumulando altas de 3,7% no ano e 5,7% em 12 meses.
Por sua vez, os financiamentos concedidos sob regras e taxas reguladas demonstraram maior estabilidade e menores índices de atraso:
- A inadimplência recuou de 3,8% em agosto para 3,7% em setembro.
- No acumulado do ano, o avanço das taxas reguladas é de apenas 1,0%.
- Em 12 meses, a variação positiva ficou fixada em 1,7%.
Comportamento da carteira corporativa no agronegócio
No segmento voltado às pessoas jurídicas, o desempenho dos pagamentos manteve um padrão de estabilidade. A inadimplência geral do crédito rural para empresas permaneceu em 1,0% no mês de setembro, repetindo exatamente a marca apurada no mês anterior.
Dentro do portfólio corporativo, os contratos a taxas de mercado registraram uma leve elevação, passando de 1,2% para 1,3%. Em contrapartida, as linhas reguladas voltadas para empresas apresentaram queda, saindo de 0,4% em agosto para 0,3% em setembro, consolidando a resiliência das operações empresariais no campo.

