A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil registrou uma queda expressiva de 27,1% na primeira quinzena de outubro, em comparação com o mesmo período de 2025, somando 1,87 milhão de toneladas. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o resultado negativo reflete diretamente as dificuldades operacionais impostas pelas chuvas frequentes à colheita e ao processamento da cana-de-açúcar.
A paralisação parcial das atividades no campo comprometeu o fluxo normal de entrega da matéria-prima. O volume de cana processado na região alcançou 27,3 milhões de toneladas no período, o que representa uma retração de 21,3% na comparação anual. Com o solo encharcado, o tráfego de máquinas agrícolas nas lavouras ficou severamente restrito, desacelerando o ritmo de trabalho das usinas e reduzindo a oferta de produtos derivados.
Impacto direto no setor sucroenergético e na oferta de etanol
A retração na moagem não afetou apenas o setor acucareiro, mas repercutiu fortemente na fabricação de biocombustíveis. Com menos matéria-prima disponível para a conversão industrial, a produção de etanol somou 1,53 bilhão de litros na primeira metade de outubro, registrando uma baixa de 26,1% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Especialistas apontam que a queda acentuada na produção de açúcar, superior inclusive à redução observada na moagem de cana, evidencia um direcionamento operacional ou perdas de rendimento decorrentes da umidade excessiva. As unidades industriais do Centro-Sul operam com capacidade ociosa sempre que as precipitações interrompem a cadeia logística entre o campo e a fábrica.
Monitoramento de mercado e relevância internacional
Outro levantamento divulgado recentemente, elaborado pela S&P Global Energy, também apontou restrições na atividade produtiva, estimando a produção de açúcar próxima de 2 milhões de toneladas para o mesmo período. Embora existam variações metodológicas entre os institutos, os números convergem ao indicar um freio considerável na moagem nacional.
A dinâmica da safra brasileira é acompanhada de perto por analistas e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, dado o peso estratégico do país no abastecimento global do alimento. Interrupções prolongadas no Centro-Sul podem alterar o fluxo de exportações e provocar oscilações nos preços internacionais. O comportamento do clima nas próximas semanas será o principal termômetro para definir a capacidade de recuperação das usinas até o encerramento da safra.

