Tribunal do Júri condena homem pela morte de liderança trans em Santa Maria

Tribunal do Júri condena homem pela morte de liderança trans em Santa Maria

Rio Grande do Sul

Um homem de 35 anos foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão pela morte de Verônica Oliveira, conhecida como Mãe Loira. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (29) no Tribunal do Júri de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O caso gerou grande repercussão na Região Central do estado devido à relevância social e comunitária da vítima, que atuava fortemente na defesa dos direitos da população trans.

Durante a sessão, o Conselho de Sentença decidiu desclassificar a acusação inicial apresentada pelo Ministério Público, que pedia a condenação por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Com a alteração para o crime de lesão corporal seguida de morte, o réu obteve o direito de recorrer da sentença em liberdade.

Dinâmica e desdobramentos judiciais do caso

O crime aconteceu na madrugada de 12 de dezembro de 2019, no cruzamento das avenidas Presidente Vargas e Borges de Medeiros, no bairro Nossa Senhora de Fátima. De acordo com as investigações policiais, a discussão entre o acusado e a vítima iniciou após um desacordo sobre o valor de um programa. Posteriormente, o homem pegou uma faca, entrou no carro e desferiu um golpe no abdômen da vítima enquanto deixava o local.

Verônica foi socorrida e encaminhada ao Hospital Universitário de Santa Maria, onde passou por procedimentos cirúrgicos, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. A defesa do réu, representada pelo advogado Leonardo Sagrillo Santiago, destacou que a decisão dos jurados reconheceu a ausência de dolo de matar e informou que analisará os fundamentos da sentença para decidir sobre a interposição de recursos.

Legado comunitário e impacto social em Santa Maria

Verônica Oliveira era uma das principais referências para pessoas trans na Região Central gaúcha. Em Santa Maria, ela mantinha um alojamento voltado para o acolhimento de mulheres trans vindas de diferentes cidades e estados, oferecendo abrigo e rede de apoio em momentos de vulnerabilidade social.

  • Atuação destacada como liderança comunitária e referência de acolhimento.
  • Participação como madrinha da Parada da Diversidade de Santa Maria dias antes do crime.
  • Instituição da Lei Verônica Oliveira pela prefeitura municipal, marcando a data de 12 de dezembro no calendário oficial.

O falecimento da liderança mobilizou movimentos sociais, coletivos de direitos humanos e entidades ligadas à população LGBTQIA+. Anos após o crime, a memória de Verônica permanece presente em iniciativas legislativas e educativas voltadas ao enfrentamento das violências de gênero e à promoção da cidadania no Rio Grande do Sul.