O deslocamento aéreo que levou o senador Flávio Bolsonaro para fora do território nacional foi contratado e quitado por um intermediário do mercado de aviação utilizando uma instituição financeira nos Estados Unidos. A declaração foi concedida à agência de notícias AFP pelo empresário Luis Grande, que comanda a empresa Baires Fly, responsável pela operação do jato executivo que transportou o parlamentar e seus familiares com destino a Miami.
Segundo o relato do dirigente, o contato foi feito por um profissional com quem mantém relações comerciais há dez anos. Essa pessoa, atuando como corretora de voos, teria efetuado uma transferência de US$ 150 mil a partir de uma conta bancária americana. O executivo argentino pontuou que desconhece a identidade do mandante final que encomendou o trajeto internacional.
Investigação internacional e repercussão diplomática
A companhia aérea envolvida no transporte também figura em apurações recentes sobre esquemas de lavagem de dinheiro relacionados a contratos públicos no setor de saúde na Argentina. As denúncias geraram forte instabilidade institucional na gestão do presidente Javier Milei, ampliando o escrutínio sobre as operações comerciais da empresa de aviação executiva e seus vínculos com operadores financeiros.
Paralelamente, jornais de grande circulação internacional apontaram supostas ligações entre a contratação da aeronave e assessores do governo norte-americano, embora autoridades locais tenham evitado pronunciamentos oficiais detalhados sobre o episódio. A complexidade logística da operação gerou debates nos bastidores diplomáticos, enquanto governos sul-americanos monitoram os desdobramentos jurídicos e políticos da estadia do parlamentar no exterior.
A cronologia da saída do país
O parlamentar deixou o Brasil após ter seus documentos de viagem cancelados por determinação judicial e enfrentar restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito de investigações sobre movimentações financeiras. De acordo com autoridades migratórias, o senador cruzou a fronteira terrestre em direção à Argentina e embarcou na madrugada de quarta-feira em um aeroporto na região de fronteira.
A viagem ocorreu poucos dias após o encerramento do processo eleitoral que definiu a presidência da República, marcado por contestações por parte de setores da oposição. Enquanto investigações apuram os detalhes logísticos da travessia terrestre até o país vizinho, o governo federal optou por manter uma postura de distanciamento diplomático para evitar atritos com potências estrangeiras diante da repercussão do caso.
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