A movimentação política nos bastidores do bolsonarismo ganhou um novo capítulo de tensão. Três dias antes de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação de busca e apreensão contra a produtora do filme Dark Horse, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) veio a público cobrar transparência e prestação de contas sobre a obra, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Investigação sobre a produtora Go Up
A operação, realizada nesta quinta-feira (10), teve como alvos a produtora do longa, a empresa Go Up, sua proprietária, Karina Ferreira da Gama, e o também deputado federal Mario Frias (PL-SP). A Polícia Federal apura um complexo esquema de movimentações financeiras que, segundo as autoridades, envolve centenas de milhões de reais entre empresas interligadas.
Um dos pontos centrais da investigação é o repasse de R$ 750 mil para a produtora do filme. A suspeita dos investigadores é que o montante tenha origem em verbas públicas provenientes de emendas parlamentares destinadas por Mario Frias. A teia financeira sob análise da PF sugere uma conexão direta entre o financiamento da obra cinematográfica e o esquema investigado.
Cobranças públicas e atrito entre aliados
Em entrevista concedida na segunda-feira (7) ao programa Show do Bacci, na BNTV, Nikolas Ferreira defendeu abertamente a quebra de sigilo e a necessidade de esclarecimentos sobre o caso. O parlamentar mineiro afirmou que a transparência é fundamental, declarando que, se não há irregularidades, todas as contas deveriam ser expostas.
O deputado direcionou parte de suas críticas a Mario Frias, que atuou como produtor-executivo do filme. Nikolas questionou o silêncio de Frias sobre o tema, sugerindo que o colega de partido deveria prestar contas publicamente. Além do filme, o deputado mineiro mencionou suspeitas de uma suposta “rachadinha” no gabinete de Frias, pedindo explicações sobre denúncias baseadas em comprovantes de pagamento e extratos bancários de uma ex-funcionária.
Posicionamento e desdobramentos
Enquanto cobrava explicações de Frias, Nikolas Ferreira adotou um tom diferente ao comentar a participação de Flávio Bolsonaro no projeto. O deputado afirmou que o senador buscou financiamento privado para o filme e sugeriu que ele poderia não ter conhecimento das irregularidades que, segundo a PF, ocorriam no entorno da produção.
Mario Frias, por sua vez, nega categoricamente qualquer envolvimento em irregularidades, tanto no caso da suposta “rachadinha” quanto nas questões envolvendo o financiamento do longa-metragem. Após a repercussão das falas de Nikolas, Frias utilizou as redes sociais para rebater as críticas, sugerindo que o colega estaria tentando desviar o foco de sua própria relação com o empresário Vorcaro.
O caso segue sob investigação rigorosa da Polícia Federal, que busca mapear a extensão das transações financeiras e a legalidade dos repasses. O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos desta apuração, trazendo informações atualizadas sobre os impactos desse embate político e as decisões judiciais que envolvem os parlamentares citados. Continue conosco para se manter informado sobre os fatos que movimentam o cenário nacional.
Fonte: redir.folha.com.br
