Dmae retoma obras no arroio Dilúvio e testa sistema de proteção em Porto Alegre

Dmae retoma obras no arroio Dilúvio e testa sistema de proteção em Porto Alegre

Rio Grande do Sul

Após um período de paralisação de três meses, o Departamento Municipal de Água e Esgotos retomou as intervenções voltadas à instalação de comportas no Arroio Dilúvio, situado em Porto Alegre. A retomada das atividades ocorreu em uma sexta-feira, marcando um novo avanço nas melhorias estruturais de drenagem e contenção de cheias na capital gaúcha. As obras iniciais haviam começado em junho, mas precisaram ser suspensas de maneira temporária em decorrência da elevação expressiva no nível do arroio, o que inviabilizou a continuidade dos trabalhos naquele momento.

Proteção contra o retorno de água no bairro Azenha

A interrupção anterior aconteceu no exato momento em que as equipes técnicas atuavam na colocação da primeira comporta em uma galeria com diâmetro de 600 milímetros, projetada para desaguar no Dilúvio bem em frente à sede da Polícia Federal. O principal objetivo dessa engenharia é criar uma barreira física capaz de impedir o retorno indesejado da água através da rede de drenagem urbana do bairro Azenha. Essa medida preventiva busca blindar a região contra alagamentos e proteger a comunidade local durante os períodos mais críticos de cheia.

Além deste ponto inicial, outras cinco redes de drenagem localizadas no mesmo bairro também vão receber as intervenções previstas no projeto municipal. Informações divulgadas pelo órgão competente indicam que o cronograma oficial permanece inalterado, mantendo a expectativa de conclusão integral de todas as etapas até o encerramento deste ano.

Simulação prática do protocolo de fechamento

Em paralelo à retomada das obras no arroio, a Autoridade Portuária dos Portos do Rio Grande do Sul uniu forças com o Dmae na véspera para realizar uma simulação controlada do protocolo de fechamento das estruturas de proteção contra cheias. O exercício prático teve início durante a manhã e avançou até o início da tarde, mobilizando equipes estratégicas pela cidade. A ação focou exclusivamente nas passagens ativas do sistema de contenção para otimizar o tempo de resposta institucional.

Para garantir maior agilidade durante a simulação operacional, duas frentes de trabalho atuaram de maneira simultânea em pontos distintos da cidade. Um dos grupos concentrou esforços nas comportas de números 12 e 11, enquanto a segunda equipe operou nas passagens 6, 4, 2 e 1. Todo o procedimento teve a finalidade estrita de testar a eficiência dos fluxos de resposta rápida diante de cenários simulados de enchente, servindo como base para a elaboração de um relatório técnico voltado ao aprimoramento contínuo das manobras.

Prevenção e critérios técnicos na capital

O diretor de Proteção Contra Cheias e Drenagem Urbana reforçou a importância dessas manobras preventivas para a segurança pública da cidade. Segundo a gestão técnica, simulações periódicas permitem identificar falhas operacionais, ouvir os profissionais envolvidos e elevar o grau de preparação do município para eventuais elevações severas nos níveis hídricos. Desde a histórica enchente registrada em maio de 2024, o sistema passou por substituições e modernizações expressivas, contabilizando estruturas trocadas e aprimoradas para assegurar maior resiliência urbana.

Na capital, o fechamento físico das comportas nunca ocorre de forma aleatória, obedecendo rigorosamente a um protocolo técnico fundamentado no monitoramento do nível do Guaíba e em análises hidrológicas constantes. A principal referência adotada pelas equipes permanece sendo a régua medidora instalada no Cais Mauá, onde a cota oficial de alerta está estabelecida em 2,5 metros e a de inundação atinge 3 metros. O fechamento efetivo das estruturas, contudo, só é acionado caso os prognósticos apontem que o rio ultrapassará a marca de inundação, com início protocolar previsto assim que a régua marca 2,9 metros.