Ibovespa despenca com onda vermelha e registra pior semana desde março de 2020

Ibovespa despenca com onda vermelha e registra pior semana desde março de 2020

Economia

A virada histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito em segundo turno mesmo atrás do pleito no primeiro turno e nas pesquisas eleitorais, levou a outro feito inédito: uma onda vermelha fez o Ibovespa (IBOV) registrar a maior queda semanal desde março de 2020, auge da pandemia de Covid-19.

Na semana, o principal índice da bolsa brasileira tombou 18,12%, o que representa uma perda mais de 37,2 mil pontos em relação à sexta-feira antes da votação. Com isso, o IBOV voltou ao nível de meados de agosto, aos 167.921,80 pontos. A forte reprecificação também fez o indicador zerar os ganhos de outubro e terminar o período com saldo negativo em 9,88%, o pior desempenho mensal desde junho de 2022.

O dólar à vista, por sua vez, acumulou alta de 9,04% na semana, a maior alta no período desde outubro de 2008, na crise do subprime, cotado a R$ 5,4443. No mês, a valorização da divisa norte-americana foi 5,20%. A curva de juros futuros também sentiu o impacto, com as taxas de Depósito Interfinanceiro disparando mais de 250 pontos-base nos vértices de médio e longo prazos, zerando as apostas de corte na Selic.

Modo de espera na política econômica

A reeleição do presidente também ativou o modo de espera nos investidores por sinalizações de como será um governo Lula 4, com destaque para as contas públicas e a cadeira de ministro da Fazenda. Logo após o segundo turno, os nomes de Rafael Fonteles, Geraldo Alckmin e Gabriel Galípolo surgiram como candidatos à pasta econômica, sendo Fonteles o mais cotado para o cargo.

Segundo análises do setor financeiro, a falta de clareza inicial sobre as regras fiscais e a condução das contas a partir de 2027 eleva os prêmios de risco. Por ora, o mercado também apagou as apostas de corte na taxa básica de juros com a piora das expectativas para a inflação, precificando uma alta probabilidade de o Comitê de Política Monetária manter os juros em 13,75%.

Ações mais penalizadas e destaques da bolsa

Na B3, as ações cíclicas foram as mais pressionadas diante da perspectiva de juros elevados por maior tempo. Entre os papéis listados, a Vamos figurou como a ação com pior desempenho, acumulando uma queda de 62,9% na semana e liderando as perdas de outubro com tombo de 44,6%. O Magazine Luiza também apagou os ganhos do mês e passou a cair 57,8%.

Do outro lado, as exportadoras se destacaram pela valorização do dólar, já que as receitas das companhias são contabilizadas na moeda norte-americana. Suzano e WEG foram as mais beneficiadas, com ganhos de 16,4% e 13,2%, respectivamente. No mês, a Prio registrou o melhor desempenho, ancorada na alta do petróleo Brent.

Wall Street e reflexos internacionais

O cenário eleitoral brasileiro dividiu espaço no radar com a proximidade das eleições de meio mandato nos Estados Unidos. A derrocada dos índices globais, no entanto, foi impulsionada principalmente pelos balanços corporativos do terceiro trimestre.

As ações da Alphabet, dona do Google, despencaram 12,64% em uma única sessão e registraram a maior queda diária histórica em reação aos números trimestrais que decepcionaram Wall Street. A big tech não atingiu as expectativas de lucro e receita no período e apresentou fluxo de caixa livre negativo, enquanto o setor de inteligência artificial seguiu sob escrutínio dos investidores.