A região Sul do Brasil caminha para manter um padrão de precipitações elevadas ao longo do penúltimo mês do ano. A projeção meteorológica foi detalhada em um boletim divulgado pela Climatempo na quinta-feira (29), indicando que os volumes acumulados devem superar as médias históricas climatológicas em grande parte dos três estados sulistas.
O cenário meteorológico desenhado para o período mantém o sinal de alerta aceso para moradores e produtores rurais. Com o solo já bastante encharcado devido aos volumes expressivos registrados no mês anterior, o novo ciclo de chuvas acentua a vulnerabilidade regional para eventos climáticos severos e transtornos urbanos e rurais.
Áreas mais afetadas e risco de eventos extremos
Assim como em outubro, os maiores excedentes de chuva devem se concentrar em zonas específicas do território sulista. Entre as áreas mais vulneráveis estão o Norte e o Noroeste do Rio Grande do Sul, além do Centro e Oeste de Santa Catarina, e também o Oeste, o Sul e o Centro do Paraná.
A dinâmica atmosférica prevista para o período favorece a formação recorrente de frentes frias e o surgimento de ciclones extratropicais transitando entre o Sul do Brasil e o Paraguai. Dessa forma, permanece elevado o risco de transbordamento de rios, alagamentos e deslizamentos de terra motivados pela saturação hídrica dos solos.
Temperaturas amenas e alerta para a agricultura
O avanço de sistemas frontais também deve influenciar o comportamento térmico na região. Os meteorologistas apontam a possibilidade de ao menos uma frente fria de forte intensidade ingressar no Sul, provocando uma queda acentuada e repentina nas marcas registradas nos termômetros.
De modo geral, a temperatura média prevista para novembro deve oscilar entre os patamares normais e ligeiramente abaixo do normal em boa parte da área sulista. Não se descarta, inclusive, a ocorrência pontual de geada tardia nas localidades de maior altitude e nas zonas próximas à fronteira com o Uruguai.
Outro fator de preocupação reside na baixa insolação persistente, condição que reduz a quantidade de horas de sol efetivo e pode trazer prejuízos ao desenvolvimento de lavouras e ao planejamento das atividades agrícolas.
Projeções do Irga para o trimestre
No âmbito estadual, o Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz) aponta perspectivas que reforçam o quadro chuvoso para o próximo trimestre. Há uma probabilidade estimada em 70% de que o volume de precipitação supere os valores da Normal Climatológica em todo o território gaúcho.
Para o mês de novembro, o modelo adotado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) corrobora a tendência de chuvas acima da média, com ênfase especial nas regiões Norte e Noroeste do estado, onde os acumulados pluviométricos podem ultrapassar a marca de 300 milímetros.
O instituto alerta ainda que essas bacias hidrográficas exercem forte influência sobre rios importantes que cortam a Metade Sul, a exemplo do rio Uruguai e do rio Jacuí. Para os meses subsequentes de dezembro e janeiro, os prognósticos indicam volumes mais próximos da normalidade histórica, mantendo contudo a atenção redobrada das autoridades de defesa civil e do setor produtivo.

