A publicidade brasileira perdeu uma de suas figuras mais influentes e pioneiras com o falecimento de Célia Belém. Formada em História pela USP, ela ingressou no mercado publicitário nos anos 1970, período em que o setor era fortemente dominado por homens e a própria disciplina de planejamento estratégico ainda engatinhava nas agências do país.
A consolidação do planejamento estratégico
Célia integrou um grupo fundamental de profissionais que ajudou a moldar a inteligência de mercado na publicidade nacional. Ao lado de nomes como Fátima Pacheco Jordão, Clarice Herzog, Vera Aldrighi e Marlene Bregman, ela colocou a pesquisa e a escuta ativa do público no centro das decisões criativas muito antes de termos como “consumer insight” se tornarem comuns no jargão corporativo.
Ao longo de sua trajetória profissional, Célia passou por veículos de imprensa como o jornal O Estado de S. Paulo e integrou grandes estruturas corporativas. Ela atuou em agências de destaque como Young & Rubicam e Lintas, além de ter exercido o cargo de vice-presidente de planejamento da J. Walter Thompson por cerca de uma década.
Formação de novos talentos e mentoria
Além de sua contribuição técnica, Célia marcou a carreira de diversos profissionais por meio da mentoria e do acolhimento. Marlene Bregman, consultora na Leo Burnett, relembra que a publicitária foi sua primeira mentora ao ingressar na agência em 1979, oferecendo suporte e abrindo portas em um momento decisivo de sua carreira.
Entre os anos de 2001 e 2006, Célia também compartilhou seu conhecimento em sala de aula, lecionando na ESPM. Em seus últimos anos de atividade profissional, dedicou-se à consultoria, orientando novas gerações de estrategistas e mantendo viva a paixão pela análise de mercado.
Continuidade familiar no setor
O impacto de Célia na comunicação estendeu-se para dentro de casa com a trajetória de sua filha, Laura Chiavone. Formada em Ciências Sociais pela USP, Laura cresceu frequentando ambientes de agência e, seguindo o conselho materno de buscar oportunidades no setor, construiu uma sólida carreira no planejamento, com passagens por grandes agências no Brasil e nos Estados Unidos, chegando posteriormente à liderança como diretora e head de agência da Meta no Brasil.
O reconhecimento intergeracional ocorreu publicamente em 2018, ano em que o Meio & Mensagem completou 40 anos, quando Célia e Laura foram homenageadas juntas na cerimônia do Women To Watch, celebrando a contribuição de ambas para a história da comunicação no país.
Repercussão e memória
Célia deixa as filhas Laura e Laís, além de dois netos. Colegas e profissionais que conviveram com ela destacam que, para além de sua vasta e respeitada trajetória intelectual e corporativa, sua memória permanece ligada à generosidade, à simpatia constante e ao sorriso largo que marcavam sua convivência diária.

