Estudo internacional aponta avanço do mercado ilegal após proibição de bets

Estudo internacional aponta avanço do mercado ilegal após proibição de bets

Política

Um levantamento recente do Ranking dos Políticos aponta que as experiências de onze países que tentaram restringir ou vetar o mercado de apostas esportivas e jogos online não conseguiram eliminar a atividade. Pelo contrário, as restrições severas acabaram empurrando os apostadores para plataformas estrangeiras e redes clandestinas, gerando desafios econômicos e fiscais significativos para os governos locais.

A entidade responsável pelo estudo analisou cenários em nações como China, Estados Unidos, Índia, Suíça e Noruega. Enquanto alguns desses territórios optaram por proibir totalmente o mercado de apostas, outros impuseram restrições rígidas a modalidades específicas. Em todos os contextos avaliados, os pesquisadores identificaram consequências semelhantes, marcadas pela perda de arrecadação fiscal, fuga de capitais e forte migração dos usuários para o ambiente digital informal.

Impacto financeiro e evasão de divisas no cenário global

Os números detalhados pelo levantamento demonstram a dimensão do problema enfrentado por nações que tentaram banir os jogos. Na China, por exemplo, estimou-se que cerca de US$ 307 bilhões deixaram o país ilegalmente em um único período de doze meses para financiar apostas no exterior, representando uma fuga massiva de recursos financeiros.

Realidade semelhante foi registrada na Indonésia. Mesmo após uma queda perceptível na movimentação de dinheiro em plataformas reguladas, cerca de 12 milhões de cidadãos continuaram realizando depósitos em sites ilegais. Na Índia, após restrições impostas aos jogos online em dinheiro, aproximadamente um em cada três usuários migrou diretamente para operações estrangeiras sem qualquer fiscalização local.

O debate sobre a regulação e os riscos da clandestinidade

Para especialistas que acompanham o setor, os dados revelam uma dinâmica recorrente em diferentes mercados regulatórios. Segundo Luan Sperandio, diretor de operações do Ranking dos Políticos, a proibição institucional tem o poder de reduzir a oferta formal, mas falha em eliminar a demanda latente da sociedade, que rapidamente encontra alternativas no ambiente digital não regulado.

A discussão ganha relevância em meio ao debate público sobre o futuro das plataformas de apostas e os impactos regulatórios. Enquanto governos buscam alternativas para proteger a economia e a arrecadação, o monitoramento de experiências internacionais serve de termômetro para avaliar se o caminho mais eficiente passa pelo rigor tributário e fiscalização ou pelo cerco absoluto ao setor, conforme apontam análises da Folha de S.Paulo.