As ações da CSN (CSNA3) figuram entre as maiores altas do Ibovespa nesta terça (3), impulsionadas pelo avanço em uma das frentes mais acompanhadas pelos investidores: a venda da CSN Cimentos. A movimentação reforça a percepção de que a companhia está conseguindo avançar na sua estratégia de desalavancagem financeira.
Em março, a siderúrgica divulgou um prejuízo líquido substancial em um cenário marcado pela alta da alavancagem e pela queima de caixa. Desde então, a evolução da dívida e a capacidade de geração de caixa da companhia se tornaram pontos centrais para o mercado financeiro.
Venda de ativos ganha tração e anima o mercado
O anúncio da assinatura de um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin Building Materials Group, realizado na sexta-feira (30), foi recebido com otimismo. Com validade de dez dias, o acordo prevê a negociação dos documentos definitivos da venda da subsidiária de cimento e considera um valor de empresa de R$ 12,7 bilhões.
Para o BTG Pactual, o anúncio chegou em um momento interessante, poucas semanas após a CSN divulgar a venda de sua operação siderúrgica na Alemanha, a Stahlwerk Thüringen (SWT), para o grupo espanhol Megasa, em uma transação avaliada em cerca de R$ 3,1 bilhões.
Somadas, as duas negociações representam aproximadamente R$ 15,8 bilhões em valor de empresa anunciado, reforçando o esforço da companhia para reduzir seu endividamento. O efeito prático no caixa, no entanto, dependerá dos ajustes de dívida e das condições finais dos acordos.
Desalavancagem segue no centro da tese corporativa
A leitura do Citi vai na mesma direção. O banco vê o avanço das negociações como positivo, especialmente pelo potencial de acelerar a desalavancagem da companhia em um momento de mercado desafiador.
Mesmo assim, os analistas lembram que o trabalho está longe de terminar. Com os juros ainda elevados no Brasil e revisões para baixo das projeções da CSN Mineração, a corporação deve continuar buscando alternativas para fortalecer seu balanço patrimonial.
Por enquanto, a recomendação do Citi para os papéis da companhia permanece neutra, refletindo a cautela diante do cenário macroeconômico atual.
Desafios operacionais continuam no radar
Apesar do progresso evidente, especialistas acreditam que a venda da unidade de cimentos, sozinha, não resolve todos os desafios estruturais da empresa. A organização ainda possui outros ativos passíveis de monetização, incluindo operações ligadas a minério de ferro, infraestrutura e ativos imobiliários.
Além disso, o ambiente operacional continua complexo, com a siderurgia brasileira enfrentando forte concorrência e o negócio de minério sofrendo pressão de fretes mais elevados e de um mercado internacional menos favorável.
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