Obesidade ganha inédito tratamento oral com aval da Anvisa para remédio de Glp-1

Obesidade ganha inédito tratamento oral com aval da Anvisa para remédio de Glp-1

Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro para o medicamento Wegovy com administração por via oral. O remédio só era disponível no país na forma de solução injetável para administração subcutânea, o que exigia a aplicação periódica por meio de dispositivos específicos.

A nova apresentação prevê administração de comprimidos uma vez ao dia, com escalonamento progressivo de dosagem. O tratamento inicia com 1,5 miligramas e avança gradualmente para 4 mg e 9 mg, até atingir a dose diária de manutenção recomendada, fixada em 25 mg.

Orientações de uso e rotina

O medicamento deve ser tomado em jejum, com pequena quantidade de água. Os pacientes precisam aguardar pelo menos 30 minutos antes da ingestão de alimentos, bebidas ou outros medicamentos para garantir a absorção adequada do princípio ativo.

O produto é indicado para o tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a comorbidades em adultos. A utilização funciona como complemento essencial a uma dieta equilibrada e à prática regular de atividade física.

Inovação terapêutica e eficácia

O fármaco representa o primeiro agonista do hormônio glucagon tipo 1 em formato oral aprovado para uso no país. Segundo a agência reguladora, a semaglutida atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar, promovendo redução do peso corporal e melhora de parâmetros metabólicos.

A chegada da nova apresentação traz mais flexibilidade terapêutica aos pacientes e profissionais de saúde. A medida inclui a possibilidade de transição entre as formulações oral e subcutânea, quando clinicamente apropriado, conforme as orientações aprovadas em bula.

Resultados clínicos e impacto da doença

A aprovação do registro teve como principal sustentação os resultados do estudo clínico pivotal de fase 3, denominado OASIS 4. A pesquisa avaliou a eficácia da semaglutida oral na dosagem de 25 mg em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.

Durante a investigação, que acompanhou os participantes ao longo de 64 semanas, o grupo tratado com a medicação registrou uma perda média de peso corporal superior a 13%. O tratamento promoveu melhora expressiva em diversos marcadores de saúde cardiometabólica em comparação ao grupo placebo.

A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, progressiva e multifatorial. A condição está diretamente associada ao aumento do risco de diversas complicações, incluindo diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, doença cardiovascular e apneia obstrutiva do sono.