A Aeris deu mais um passo decisivo na tentativa de reorganizar sua estrutura financeira e preservar a continuidade de suas atividades. A fabricante de pás para aerogeradores protocolou um pedido de recuperação extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo para reestruturar dívidas de cerca de R$ 1,52 bilhão.
Segundo o fato relevante divulgado nesta quarta-feira (4), a medida recebeu aprovação do conselho de administração e ainda precisará ser ratificada pelos acionistas em assembleia geral extraordinária. O plano foi negociado com os principais credores da empresa e tem como objetivo principal reduzir a alavancagem financeira e adequar a estrutura de capital.
Negociação e respaldo dos credores
A proposta envolve créditos quirografários não correntes que somam R$ 1,52 bilhão, considerando a posição de 31 de outubro de 2026. É importante destacar que ficam fora dessa reestruturação os débitos tributários, as obrigações trabalhistas e os créditos decorrentes de acidentes de trabalho, mantendo esses compromissos protegidos.
A companhia informou que já obteve a adesão de credores que representam 42,18% dos créditos abrangidos pelo plano. Esse patamar supera o mínimo legal de um terço exigido por lei para o protocolo formal do pedido. Agora, a empresa terá até 90 dias para alcançar o apoio de credores detentores de mais da metade desses créditos, condição essencial para a homologação judicial definitiva.
Antecedentes e blindagem temporária
Os desafios financeiros enfrentados pela companhia vêm sendo monitorados pelo mercado há alguns meses. Em agosto deste ano, por meio de uma medida cautelar em caráter antecedente, a empresa buscou suspender por até 60 dias execuções e outras cobranças relacionadas às dívidas em negociação, abrindo paralelamente um procedimento de mediação no Centro de Mediação da Associação dos Advogados de São Paulo (CMAASP).
O movimento ocorre pouco mais de um ano depois de a organização ter concluído um reperfilamento de aproximadamente 90% do endividamento, realizado em maio de 2025. Naquela época, o alongamento dos prazos buscava justamente aliviar a pressão de curto prazo sobre o caixa, esforço que agora ganha uma nova camada com a recuperação extrajudicial.
Desempenho financeiro e cenário operacional
A Aeris encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 152 milhões, refletindo pressões vindas do aumento das despesas financeiras com a alta dos juros. A receita operacional líquida somou R$ 129,2 milhões, enquanto a dívida líquida atingiu R$ 1,94 bilhão no 2T26, alta de 19,2% em 12 meses.
A retração nos números recentes também está ligada ao comportamento do mercado eólico brasileiro, marcado por uma demanda doméstica reduzida e pela ausência de novos contratos expressivos. Para mais detalhes sobre os desdobramentos econômicos do setor, consulte a cobertura completa do portal Seu Dinheiro.

