Copom encerra série de quedas e mantém Selic em 13,75% ao ano

Copom encerra série de quedas e mantém Selic em 13,75% ao ano

Economia

A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano já era amplamente esperada pelos agentes financeiros nesta quarta-feira (4). Com o movimento, o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu um ciclo de cinco cortes consecutivos que vinha ocorrendo entre março e setembro deste ano, reduzindo o patamar anterior de 15% para o nível atual.

O colegiado, no entanto, evitou sinalizar se a pausa adotada agora será prolongada ou se novos cortes poderão voltar à pauta na última reunião do ano, marcada para os dias 8 e 9 de dezembro. Segundo a avaliação oficial do comitê, um conjunto complexo de fatores econômicos locais e globais motivou a decisão de estabilidade.

Cenário global adverso e pressão sobre a inflação

Logo na abertura do comunicado divulgado após o encontro, a diretoria do Banco Central destacou a deterioração do ambiente internacional. Entre os pontos de alerta estão os conflitos prolongados no Oriente Médio, que geram impactos de alta sobre os preços do petróleo e seus derivados, além da manutenção de políticas monetárias mais restritivas em economias avançadas.

No âmbito doméstico, o foco principal recaiu sobre a trajetória recente da inflação. Os dados mais recentes indicam que tanto a inflação cheia quanto as medidas subjacentes apresentaram aceleração, superando o limite superior do intervalo de tolerância da meta oficial fixada em 4,5%.

Mudança nas expectativas do mercado

Até poucas semanas antes da decisão, uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic era considerada provável pelos analistas e aparecia refletida nas projeções do mercado financeiro. O cenário, contudo, sofreu alterações significativas após o resultado eleitoral de 25 de outubro, que influenciou a percepção de risco e redefiniu as projeções para os indicadores econômicos de longo prazo.

O Boletim Focus divulgado em 3 de novembro apontou uma deterioração nas expectativas para o IPCA e para os juros futuros. A projeção para o IPCA subiu para os anos seguintes, enquanto a mediana das estimativas para a taxa Selic avançou de forma expressiva para o período entre 2027 e 2029, refletindo a visão de que o país poderá enfrentar um período prolongado de juros mais altos.

Fatores locais e perspectivas futuras

Entre os principais determinantes domésticos apontados pelo Copom estão a desvalorização cambial — com a cotação saindo da faixa de R$ 5 para patamares próximos a R$ 5,50 —, as incertezas no plano fiscal e um mercado de trabalho aquecido que sustenta a renda e pressiona os preços. O relatório do Banco Central detalha como essas pressões exigem cautela dos formuladores de política econômica.

Diante desse panorama, o colegiado reforçou que continuará monitorando atentamente a evolução da economia para assegurar a convergência da inflação à meta. Com apenas mais um encontro programado para dezembro, o rumo da taxa básica dependerá de como se comportarão os indicadores econômicos até o final do ano.