O historiador britânico Leslie Bethell, reconhecido internacionalmente como um dos maiores especialistas na história do Brasil, construiu uma longa trajetória acadêmica marcada por profundas ligações com a política nacional. Morador do Rio de Janeiro há quase duas décadas, o pesquisador acumula memórias sobre a academia internacional e sua proximidade com figuras centrais da esquerda global, como o historiador Eric Hobsbawm.
Nascido em uma família operária no norte da Inglaterra, Bethell trilhou um caminho acadêmico brilhante que o levou a estudar a dinâmica colonial e imperial do país sul-americano. Nos anos 1970, sua pesquisa pioneira demonstrou a importância da Marinha britânica para o fim do tráfico de escravizados, consolidando seu nome na historiografia de língua inglesa.
A comemoração em Oxford e a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva
Em outubro de 2002, a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República motivou celebrações internacionais. Da cidade de Oxford, na Inglaterra, Bethell e Eric Hobsbawm acompanharam a apuração dos votos que encerrou um ciclo de três derrotas consecutivas do candidato petista.
Amigos desde a década de 1960 e identificados com as pautas da esquerda, os dois historiadores abriram garrafas de espumante para comemorar o resultado nas urnas. Para Bethell, que na juventude havia militado no Partido Trabalhista britânico, a chegada do PT ao poder representava um marco histórico para a América Latina.
O fechamento do Centro de Estudos Brasileiros em Oxford
Anos após a euforia inicial com o governo brasileiro, o pesquisador enfrentou duros golpes institucionais. Nos anos 1990, Bethell havia fundado o prestigiado Centro de Estudos Brasileiros na Universidade de Oxford, instituição que se tornou referência global na difusão da cultura e da história do Brasil.
No entanto, em 2007, o centro foi formalmente extinto. A decisão ocorreu após o historiador perder o apoio político do governo brasileiro e enfrentar o desinteresse de seus próprios pares acadêmicos no Reino Unido, encerrando prematuramente um espaço vital de diálogo internacional sobre o país.
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