A governadora reeleita do Distrito Federal, Celina Leão (PP), articula a publicação de um novo decreto com o objetivo de promover uma reformulação profunda nos cargos comissionados ocupados por indicações de legendas aliadas. Nos bastidores da política local, a medida já é tratada como um decreto de reestruturação administrativa e tem como alvo principal os nomes nomeados durante a gestão de Ibaneis Rocha (MDB), ex-titular do Palácio do Buriti e de quem ela foi vice.
A expectativa no cenário político brasiliense é de que a medida seja formalizada no final do ano, especificamente em 31 de dezembro. A movimentação ocorre após a transição de comando no governo distrital, consolidada quando Celina assumiu a chefia do Executivo em abril, período em que Ibaneis deixou o cargo para viabilizar uma eventual candidatura ao Senado, plano que acabou não se concretizando posteriormente em meio ao desdobramento de investigações envolvendo o banco Master.
Reorganização das forças políticas locais
Diante do redesenho da base de sustentação, a chefe do Executivo distrital já iniciou conversas diretas com as legendas partidárias para comunicar que haverá uma descontinuidade de parte dos espaços ocupados atualmente. O MDB, sigla que esteve no centro da gestão anterior, chegou a avaliar a possibilidade de adotar neutralidade na disputa eleitoral ao GDF, mas acabou formalizando o apoio à reeleição da atual governadora no decorrer do processo.
Interlocutores próximos ao Palácio do Buriti argumentam que a gestão reconhece e valoriza o suporte político recebido durante a campanha, mas ponderam que a vitória nas urnas não dependeu exclusivamente de uma aliança de frente ampla. Por essa razão, a estratégia adotada consiste em conferir à governadora a autonomia necessária para selecionar pessoalmente os aliados que ocuparão as funções mais estratégicas da máquina pública.
Novos espaços e secretarias estratégicas
Com a reconfiguração dos postos de comando, a administração distrital abre espaço para a acomodação de novas forças políticas que atuaram ativamente ao lado da governadora. Entre as movimentações já mapeadas nos bastidores do poder estão as indicações planejadas pelas senadoras eleitas Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), que deverão assumir o controle de pastas de relevância na Esplanada dos Ministérios e no âmbito local, sendo respectivamente os comandos das secretarias de Saúde e de Agricultura.
A condução dessas mudanças administrativas reflete o esforço da liderança do Distrito Federal em imprimir uma marca própria na nova fase da administração, equilibrando as demandas de sustentabilidade governamental com as composições partidárias que moldaram o tabuleiro político da capital do país. Para acompanhar mais detalhes sobre os desdobramentos dessa transição na política regional, acesse a cobertura completa da Folha de S.Paulo.

