Imagem gerada com IA

STF bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de ingerência em emendas

Economia

Investigação aponta atuação de Eduardo Cunha como agente privado

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 milhões em bens do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A medida cautelar ocorre no âmbito da Operação Transparência, que investiga a suposta atuação de Cunha como uma espécie de “agente privado” dentro do Parlamento. Segundo a Polícia Federal, mesmo sem exercer mandato eletivo, o ex-deputado teria influenciado o destino de 21 emendas parlamentares voltadas a municípios de Minas Gerais.

A investigação aponta que o esquema contava com a participação de Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, servidora da Câmara e ex-assessora de Cunha. Análises realizadas pela Polícia Federal em 2025 no celular da servidora teriam revelado um arranjo decisório paralelo. De acordo com os investigadores, Tuca atuava como facilitadora, centralizando demandas e operacionalizando o remanejamento de verbas públicas sob o direcionamento direto do ex-parlamentar.

Defesa nega irregularidades em emendas

Em nota oficial, a defesa de Eduardo Cunha afirmou desconhecer qualquer irregularidade na tramitação das emendas citadas na investigação. Os advogados ressaltaram que o ex-deputado não exerce mandato parlamentar e, portanto, não teria competência para apresentar, subscrever ou formalizar qualquer indicação de recursos públicos. O texto reforça que Cunha sempre pautou sua vida pública pelo compromisso ético e pela probidade.

A defesa ainda rechaçou a tentativa de equiparar a “legítima interlocução política” ao exercício clandestino de mandato. Segundo os representantes legais, a intenção é buscar acesso integral aos autos da investigação para exercer o contraditório e impugnar as medidas decretadas pelo STF. A reportagem segue em busca de um posicionamento da defesa de Mariângela Fialek sobre as acusações.

Cenário eleitoral e histórico de instabilidade

O bloqueio de bens surge em um momento de articulação política para Eduardo Cunha, que é pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais, pelo partido Republicanos. A oficialização da candidatura está prevista para o dia 16 de agosto. O ex-presidente da Câmara busca retornar ao Legislativo após anos de turbulência jurídica e política, que incluíram a cassação de seu mandato em 2016, por 450 votos a favor e 10 contra, sob a acusação de quebra de decoro parlamentar.

O histórico do político é marcado por passagens pela prisão, incluindo o período em que esteve detido no âmbito da Operação Lava Jato, entre 2016 e 2021. Em 2022, Cunha tentou retornar à política por São Paulo, mas não obteve sucesso nas urnas. Em 2023, o STF chegou a anular uma de suas condenações, reconhecendo a competência da Justiça Eleitoral para julgar o processo, o que reabriu margem para que ele mantivesse suas pretensões eleitorais vivas no cenário nacional.

Para acompanhar os desdobramentos desta investigação e outros fatos relevantes da política brasileira, continue conectado ao Conexrs. Nosso portal mantém o compromisso com a informação apurada, oferecendo uma cobertura completa e contextualizada sobre os temas que impactam o país e o cotidiano dos cidadãos.