Custo do aluguel sobe 5,24% no semestre e supera índices de inflação Economia 14 de julho de 202614 de julho de 2026 Imagem gerada com IA O mercado de locação residencial no Brasil atravessa um período de pressão acentuada sobre o bolso dos inquilinos. Dados recentes do Índice FipeZAP revelam que os valores dos contratos de aluguel acumularam uma alta de 5,24% apenas no primeiro semestre de 2026. O percentual coloca o setor em uma trajetória de valorização que supera significativamente os principais indicadores econômicos do país, como o IPCA, que registrou 3,36% no mesmo período, e o IGP-M, com avanço de 3,27%. Embora tenha ocorrido uma leve desaceleração na variação mensal — com junho registrando alta de 0,81%, frente aos 0,85% de maio —, o ritmo de aumento continua desproporcional à inflação oficial do mês, que foi de apenas 0,16%. Esse cenário evidencia que a demanda por imóveis para moradia segue aquecida, mantendo os preços em patamares elevados mesmo diante de uma conjuntura econômica complexa. Desequilíbrio entre oferta e procura nos centros urbanos A persistência da alta nos preços é explicada, em grande parte, pelo descompasso entre a disponibilidade de imóveis e a necessidade habitacional da população. Em 21 das 22 capitais monitoradas pelo levantamento, houve reajuste positivo nos valores de locação durante o semestre. O fenômeno é generalizado, mas apresenta disparidades regionais importantes. Aracaju liderou o ranking de valorização, com um salto de 16,82%, seguida por Manaus (11,14%) e Campo Grande (10,77%). O Rio de Janeiro também apresentou uma alta expressiva de 8,27%. Em contrapartida, São Paulo, que detém o maior mercado imobiliário do país, registrou uma elevação mais contida, de 3,65%. São Luís foi a única exceção entre as capitais, apresentando uma retração de 1,21% no período. O impacto dos juros no mercado de locação A dificuldade de acesso à casa própria é um dos pilares que sustentam a alta dos aluguéis. Com os juros do crédito habitacional ainda em patamares elevados, muitos brasileiros adiam o sonho da aquisição do imóvel e permanecem no mercado de locação por um período mais longo. Esse comportamento gera uma pressão contínua sobre a oferta de unidades disponíveis, impedindo que os preços encontrem um ponto de equilíbrio mais acessível. Mesmo com o início do ciclo de redução da taxa Selic pelo Banco Central, o efeito sobre o crédito imobiliário não é imediato. O encarecimento dos imóveis e as exigências rigorosas para a concessão de financiamentos bancários reforçam a barreira de entrada para novos compradores, mantendo o setor de locação como a alternativa principal para grande parte da população. Rentabilidade e perfil dos imóveis Para os investidores, o cenário de valorização dos aluguéis é visto como uma oportunidade de compor renda, embora a rentabilidade média anual de 6,13% ainda enfrente concorrência com aplicações de renda fixa. Unidades menores, como apartamentos de um dormitório, seguem como os ativos mais rentáveis, com retorno médio de 6,77% ao ano. O levantamento destaca que a classe média é o segmento que mais impulsiona o mercado atualmente. Em junho, os apartamentos de dois dormitórios foram os que mais pressionaram o índice, com alta de 1,22%. Atualmente, o preço médio da locação residencial nas 36 cidades pesquisadas atingiu R$ 53,79 por metro quadrado, com São Paulo liderando o custo médio entre as capitais, alcançando R$ 64,98 por metro quadrado. O Conexrs segue acompanhando de perto as movimentações do mercado imobiliário e os reflexos da economia no cotidiano dos brasileiros. Para se manter informado sobre as tendências que impactam o seu bolso e o cenário nacional, continue acompanhando nossas publicações diárias, onde prezamos pela análise aprofundada e pela clareza na informação. Fonte: infomoney.com.br