
A Polícia Federal (PF) aprofunda as investigações sobre o destino de verbas públicas oriundas de emendas parlamentares, focando em um caso específico que envolve o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. O centro da apuração é o repasse de R$ 280 mil, que teria sido utilizado integralmente para custear uma apresentação da dupla sertaneja Thaeme & Thiago durante a 21ª Festa do Peão de Boiadeiro, realizada em Guaimbê, no interior de São Paulo.
O caminho do recurso e a contratação por inexigibilidade
Conforme os levantamentos da investigação, o montante seguiu um fluxo administrativo que passou pelo Ministério do Turismo antes de chegar aos cofres municipais. A prefeitura de Guaimbê, ao receber a verba, optou pela contratação direta da dupla por meio de inexigibilidade de licitação, um mecanismo jurídico aplicado quando a competição entre diferentes empresas é considerada inviável. Após o show de 90 minutos, a empresa THM & THG Produções emitiu a nota fiscal vinculando o pagamento ao convênio federal.
O plano de trabalho apresentado ao governo federal justificava o gasto sob a premissa de que o evento seria um motor para o turismo local, movimentando o comércio da região e preservando tradições culturais. O convênio foi formalizado em 30 de outubro de 2025, com vigência estendida até 8 de janeiro de 2026. Embora o recurso esteja oficialmente associado ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a Polícia Federal aponta que a indicação política teria partido diretamente de Valdemar Costa Neto, que não ocupa cargo eletivo no Congresso Nacional.
Bloqueio judicial e o embate com o STF
O episódio ganha contornos de crise institucional devido à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 10 de julho, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de emendas sob suspeita de irregularidades, justamente por entender que a indicação de verbas por parte de figuras sem mandato parlamentar carece de amparo legal e transparência. A decisão faz parte de um esforço mais amplo do Judiciário em fiscalizar a destinação de recursos públicos via emendas, um tema que tem gerado tensões constantes entre o Congresso e a Corte.
A defesa de Valdemar Costa Neto
Em resposta às investigações, a defesa de Valdemar Costa Neto, representada pelos advogados Marcelo Luiz Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury, classificou a decisão do ministro como uma “exposição pública prematura”. Em nota oficial, os defensores argumentam que não há qualquer ilicitude na articulação de interesses nacionais e regionais por parte de um líder partidário.
Os advogados sustentam que as acusações partem de premissas subjetivas e que a investigação promove uma “indevida criminalização da atividade político-partidária”. Segundo a defesa, não existem elementos indiciários idôneos que comprovem a existência de um esquema criminoso, lamentando que o caso ganhe destaque em um período de alta sensibilidade eleitoral e institucional.
O Conexrs mantém o compromisso de acompanhar os desdobramentos desta investigação e os próximos passos da apuração da Polícia Federal. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado sobre os fatos que impactam a política nacional, com a credibilidade e a profundidade que você exige.
Fonte: poder360.com.br
