A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano preocupa a indústria e o agronegócio do Rio Grande do Sul. O Estado está entre os mais expostos à medida devido ao perfil de sua pauta exportadora, fortemente concentrada em setores como calçados, madeira, móveis, produtos florestais e derivados do agronegócio.
Segundo levantamento da Farsul, cerca de 81% das exportações gaúchas destinadas aos Estados Unidos poderão ser atingidas pela nova tarifa, o equivalente a aproximadamente US$ 1,34 bilhão em produtos. Entre os segmentos mais vulneráveis estão o setor coureiro-calçadista, a madeira serrada de pinus, móveis, fumo e outros produtos industriais tradicionais da economia gaúcha.
No cenário nacional, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que aproximadamente 18% das exportações brasileiras aos EUA, cerca de US$ 7 bilhões, serão afetadas pela medida. Entre os setores mais impactados estão justamente madeira, móveis, máquinas e calçados — segmentos com forte presença no Rio Grande do Sul.
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) já revisou para baixo sua projeção de exportações para 2026. A entidade alerta que a nova tarifa reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado americano, podendo comprometer contratos, investimentos e empregos em um dos principais polos calçadistas do país, localizado no Vale dos Sinos.
A relação de produtos contemplados pelas exceções anunciadas pelos Estados Unidos não inclui parte significativa da produção industrial do Rio Grande do Sul. Com isso, setores tradicionalmente voltados ao mercado norte-americano, como calçados, madeira e móveis, seguem entre os mais expostos aos efeitos da nova política tarifária. Enquanto representantes da indústria acompanham o avanço das negociações comerciais, o governo brasileiro avalia medidas para reduzir os impactos sobre as empresas exportadoras e preservar a competitividade da produção nacional.
Para o Rio Grande do Sul, o momento reforça a necessidade de ampliar mercados internacionais e diversificar destinos das exportações. Reduzir a dependência de um único comprador pode ser fundamental para preservar a competitividade das empresas gaúchas diante de mudanças na política comercial internacional.
Fonte: manual-1784332379295
