Plano Safra 2026/2027: como o crédito para pastagens pode transformar a pecuária

Plano Safra 2026/2027: como o crédito para pastagens pode transformar a pecuária

Agro DESTAQUES

O Plano Safra 2026/2027, apresentado recentemente, trouxe uma estratégia central para o setor agropecuário brasileiro: o incentivo financeiro para a adoção de práticas de baixo carbono. A medida, que visa elevar a produtividade nacional, foca na recuperação de pastagens degradadas através de taxas de juros mais competitivas, posicionando a sustentabilidade como um pilar de rentabilidade para o produtor rural.

Por meio do programa RenovAgro, o governo federal estabeleceu uma taxa de juros de 8,5% ao ano para investimentos em agricultura sustentável. O valor é significativamente inferior aos 12,5% aplicados no financiamento convencional das grandes lavouras. Além da redução nos custos, o programa oferece um prazo de pagamento de 12 anos, com oito anos de carência, permitindo que o pecuarista tenha tempo para estruturar a propriedade antes de iniciar a quitação do principal.

Potencial de produtividade e o papel da Embrapa

Dados da Embrapa Gado de Corte indicam que a média nacional de lotação nas pastagens é de um animal por hectare, com produtividade de cinco arrobas. Em áreas degradadas, esse cenário é ainda mais crítico, caindo para 0,5 animal por hectare e menos de três arrobas. A recuperação desses solos, portanto, não é apenas uma questão ambiental, mas uma necessidade econômica.

Segundo Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa, a recuperação bem executada pode elevar as taxas de lotação e a produtividade entre 50% e 250%. O especialista reforça que o maior trunfo do agronegócio brasileiro é justamente a capacidade de aumentar a produção em áreas já abertas, eliminando a necessidade de novos desmatamentos e atendendo a exigências internacionais, como as normas da União Europeia.

Impacto regional e a realidade em Mato Grosso

Estados com forte vocação pecuária, como Mato Grosso, aparecem como os principais beneficiários da medida. A Associação dos Criadores do Estado (Acrimat) destaca que a degradação de muitas áreas não ocorre por falta de conhecimento técnico, mas pela limitação de capital para investimento. Com o acesso a crédito facilitado, o solo mato-grossense, que responde bem à correção e adubação, pode impulsionar significativamente a oferta de carne.

Francisco Manzi, diretor técnico da Acrimat, ressalta que o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de gestão do produtor e da demanda de mercado. O objetivo é que a intensificação do uso da terra permita que o pecuarista aumente seu rebanho ou melhore o ciclo de terminação sem a necessidade de incorporar novas áreas ao sistema produtivo.

Estratégias para o retorno sobre o investimento

Especialistas alertam que o crédito, por si só, não garante sucesso. O processo de recuperação exige planejamento, incluindo a retirada temporária de animais, subsolagem, controle de pragas e o uso adequado de fertilizantes. Pedro Gonçalves, analista da Scot Consultoria, pontua que a viabilidade econômica é o fator decisivo para o produtor.

Apesar das condições favoráveis, o cenário macroeconômico, com taxas de juros elevadas, ainda impõe cautela. O desafio para o setor é garantir que o recurso chegue de forma eficiente a quem realmente precisa, transformando o financiamento em ganho real de produtividade. O acompanhamento constante dessas políticas e de seus impactos no campo é essencial para o desenvolvimento sustentável do agronegócio.

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Fonte: canalrural.com.br