Investigação revela fraude milionária em unidade industrial
Uma ação coordenada pela Polícia Civil, denominada Operação Lama de Ouro, desarticulou na última quinta-feira (16) um esquema criminoso que operava dentro da unidade da Yara Fertilizantes, localizada no Distrito Industrial de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Dois funcionários da empresa foram presos sob a acusação de desviar cargas de alto valor comercial, causando um prejuízo estimado em R$ 20 milhões.
O caso, que ganhou repercussão pela sofisticação da fraude, envolve a adulteração de produtos essenciais para o agronegócio. Além das prisões, uma terceira pessoa foi conduzida à delegacia para prestar depoimento, e as autoridades seguem em diligências para identificar receptadores e outros possíveis integrantes da organização criminosa.
Modus operandi e a adulteração de cargas
A delegada Paula Vieira Garcia, titular da 9ª Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (9ª Decrab), detalhou como o grupo agia. Os suspeitos, que ocupavam posições de confiança na empresa, utilizavam sua rotina de trabalho para subtrair o fertilizante puro — avaliado em cerca de R$ 4 mil por tonelada — e substituí-lo por “barro de varredura”, um resíduo industrial de baixo valor, comercializado a aproximadamente R$ 80 por tonelada.
A prática permitia que o produto adulterado fosse vendido clandestinamente como se fosse fertilizante legítimo, maximizando o lucro ilícito. Segundo a investigação, a frequência dos furtos aumentou ao longo do tempo, o que acabou gerando inconsistências contábeis que despertaram a atenção da diretoria da empresa, levando à denúncia formal às autoridades policiais.
Desdobramentos judiciais e posicionamento da empresa
Na sexta-feira (17), a Justiça converteu a prisão em flagrante dos dois funcionários em prisão preventiva. A decisão baseou-se nos robustos elementos comprobatórios reunidos pela 9ª Decrab durante o monitoramento, que teve início no começo deste ano após o recebimento de denúncias anônimas. Um dos detidos possuía antecedentes criminais por furto e trabalhava na unidade há 12 anos, enquanto o segundo colaborador estava na empresa há cerca de dois anos.
Em nota oficial, a Yara Brasil confirmou a colaboração com as autoridades policiais. A empresa reforçou sua posição de vítima no processo e afirmou que, devido ao sigilo das investigações, não comentará detalhes adicionais sobre o caso. A polícia continua o trabalho de campo para rastrear o destino final dos produtos desviados e o alcance total da rede de receptação que sustentava o esquema.
O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e os próximos passos do inquérito policial. Para se manter informado sobre os principais fatos do Rio Grande do Sul e do Brasil, com apuração rigorosa e contexto, continue acompanhando nosso portal diariamente.
Fonte: canalrural.com.br
